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Cotidiano

Gasto por animal retirado do Pinheirinho é quase o dobro da bolsa aluguel paga às famílias

Guilherme Balza

Do UOL, em São Paulo

01/02/2012 19h29

Os gastos da Prefeitura de São José dos Campos (SP) por cada animal que foi retirado do Pinheirinho é quase o dobro do valor da bolsa aluguel paga às famílias despejadas da comunidade no último dia 22.

A prefeitura recolheu, ao todo, 240 animais que ficaram perdidos após a reintegração de posse. Como não havia espaço no centro de zoonoses para abrigar os animais, o canil particular Animalis foi contratado pela administração municipal.

Segundo a assessoria de imprensa do governo municipal, o custo diário cobrado pela clínica para cuidar dos animais é de R$ 7.000, o que dá cerca de R$ 30 por animal por dia ou R$ 900 mensais. O auxílio aluguel pago às famílias retiradas do Pinheirinho equivale a R$ 500 por mês –destes, R$ 400 são bancados pelo governo do Estado e R$ 100 pela prefeitura de São José dos Campos.

A prefeitura alega que os animais estão recebendo cuidados veterinários, alimentação, vermífugo e vacinas e disse que o valor pago ao canil é o praticado no mercado.

Bolsa aluguel

A distribuição do benefício começou na tarde dessa terça-feira (31). Entre ontem e hoje, 72 famílias receberam o auxílio. Tem direito a receber o valor as famílias com renda de até três salários mínimos.

Uma lei aprovada ontem prevê que o auxílio seja pago por seis meses, podendo ser renovado por tempo indeterminado, até que cada família encontre uma solução definitiva de moradia. Além do aluguel social, as famílias receberão R$ 500 de auxílio mudança.


Antonio Donizete, advogado que defende os desabrigados, critica o valor do aluguel social, que considera baixo frente “aos preços inflacionados” de locação no município, e defende que o benefício seja estendido também às famílias que recebem mais de três salários mínimos.

“A economia está aquecida. Um trabalhador da construção civil ganha isso praticamente. Achamos justo que o benefício seja ampliado para quem ganham mais do que isso, afinal as famílias perderam tudo”, diz Donizete.

Moradores não conseguem alugar

Os moradores despejados no último dia 22 afirmam que estão enfrentando dificuldades para alugar imóveis. Segundo Valdir Martins, conhecido como Marrom, liderança dos moradores do Pinheirinho, duas questões atrapalham na hora de locar um imóvel: o preço alto e a necessidade de um fiador para viabilizar o negócio --pela lei, o locatário precisa ter um fiador ou pagar mensalmente um seguro fiança.

“Não há casas disponíveis para alugar na zona sul de São José. Qualquer imóvel com dois cômodos custa R$ 800 por mês. Além disso, a pessoa tem que ter fiador, mas como alguém que acabou de ser despejado vai ter fiador?”, questiona Marrom. Segundo ele, a exigência dos desabrigados é que a prefeitura passe a ser o fiador no processo de locação.

“Está um caso sério. Ninguém quer alugar casa para os moradores do Pinheirinho”, diz a dona de casa Adélia Almeida da Silva, que está alojada em um abrigo provisório na escola Caic Dom Pedro, na zona sul do município. “Quando falamos que somos do Pinheirinho, as imobiliárias dizem que não há imóveis disponíveis."

A prefeitura afirmou que atendeu o pedido dos moradores e está fornecendo uma carta de referência aos desabrigados que receberam o aluguel social. Em nota, o governo municipal afirmou que as sugestões trazidas pelos representantes dos moradores estão sendo estudadas.

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