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Advogado diz que Bruno e Macarrão tiveram relacionamento gay; acusação fala em estratégia

Imagem mostra goleiro Bruno e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, sendo transferidos em julho de 2010 - Alexandre Durão/UOL
Imagem mostra goleiro Bruno e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, sendo transferidos em julho de 2010 Imagem: Alexandre Durão/UOL

Rayder Bragon

Do UOL, em Belo Horizonte

09/07/2012 10h09Atualizada em 10/07/2012 09h23

O advogado Rui Pimenta, defensor do goleiro Bruno Souza, afirmou que seu cliente e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, tiveram um relacionamento homossexual, e uma carta supostamente escrita pelo goleiro e endereçada ao amigo seria, na verdade, uma forma de colocar um ponto final no relacionamento entre os dois. Ambos estão presos acusados pela morte de Eliza Samudio, ex-amante de Bruno, e vão a júri popular, ainda sem data marcada, junto com outros seis réus.

A revista "Veja" publicou neste fim de semana uma reportagem na qual afirma que a carta seria um pedido do goleiro a Macarrão para que ele assumisse o assassinato de Eliza, desaparecida desde junho de 2010.

Apesar de ter contestado neste domingo (8) a veracidade da correspondência, Pimenta revelou que, caso seja verdadeira, a carta foi feita com uma razão distinta da que foi reproduzida pela revista. 

Segundo a reportagem, o conteúdo da correspondência sugere que o goleiro, com o envio da carta, coloca em prática uma estratégia intitulada de “plano B”, sendo que o “plano A” era negar a autoria da morte da jovem, o que os réus sempre afirmaram até o momento. A carta, de acordo com Veja, foi interceptada por um agente da penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem (MG), onde os dois estão presos, e Macarrão não chegou a ter acesso a ela.

“Desde que eu entrei no caso, eu entendi que existe ali um espírito de homossexualidade. Me parece que a carta leva para isso. O plano B não seria o plano de que o Macarrão viesse a assumir.  Não tem sentido”, afirmou Pimenta.

Segundo Pimenta, o que reforçaria sua tese versando sobre o término do suposto relacionamento entre os dois seria uma menção feita no texto a um hipotético vídeo gravado por Eliza que conteria imagens de orgia entre os três. Veja descreve que a existência do material teria sido confirmada por amigos próximos de Bruno. Ainda conforme o texto, Eliza ameaçava divulgá-lo. “Só por esse fato, de ela ter um vídeo onde os três aparecessem fazendo sexo juntos, já é a prova material da homossexualidade”, afirmou.

Estratégia

Já o advogado José Arteiro Cavalcante, representante da mãe de Eliza em Minas Gerais e assistente da acusação, disse ter enxergado nas declarações de Pimenta "uma estratégia da defesa de Bruno para livrá-lo da acusação de ser o mandante do crime".

Segundo Cavalcante, Pimenta manobra para tentar desacreditar a suposta carta na qual Bruno pediria a Macarrão para assumir a autoria do assassinato. "O Bruno tinha muitas mulheres à sua disposição. Para que ele iria querer o Macarrão?", disse ao UOL o advogado.

Arteiro disse confiar na existência da carta e vai requerer a sua inclusão no processo sobre o sumiço de Eliza.

Ciúmes

Pimenta voltou a afirmar que Macarrão teria sido o mentor do assassinato de Eliza por sentir ciúmes da relação entre ela e Bruno. “Ela foi morta por ciúmes e foi levada para ser morta pelo Macarrão”, afirmou.

A tese vem sendo defendida por Pimenta desde que ele assumiu a defesa de Bruno.

Segundo o advogado, Eliza estaria ameaçando tomar um lugar que “pertenceria a Macarrão”.

De acordo com a polícia, Eliza foi morta em junho de 2010 pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em sua casa, localizada na cidade de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Procurado pelo UOL, o advogado Leonardo Diniz, defensor de Macarrão, afirmou que não comentaria a reportagem de Veja nem as afirmações de Pimenta.

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