Com estiagem, hidrelétricas de Sudeste e Centro-Oeste têm menores volumes em uma década

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

Os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste registraram, em novembro, os mais baixos índices de volume desde 2001, ano em que os brasileiros precisaram conviver com racionamento de energia. De acordo com dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), as barragens representam cerca de 70% da capacidade de geração de energia do país.

Segundo o ONS, em novembro, os índices de armazenamento de água nos reservatórios de Centro-Oeste e Sudeste chegaram a 31,91% do total. Até então, o menor índice tinha sido registrado em novembro de 2001, quando a taxa alcançou 23,04%. Os números parciais de dezembro apontaram para taxa decrescente: em 20 de dezembro, o índice chegou a 29,6%.

A situação também é crítica no Nordeste, onde pelo menos 1.100 municípios estão em situação de emergência pela prolongada estiagem. Em novembro, o índice chegou a 34,31%, recuperando um pouco o índice de 33,86%, quando atingiu seu patamar mais baixo desde janeiro de 2008, quando o índice alcançou 30,63%. No Norte, o índice chegou --em 20 de dezembro-- a 41,8% do total e no Sul, a 32,8%.

"O cenário para 2013 é preocupante, pois o consumo de energia está crescendo e as plantas que estão vindo em linha são aqueles que não têm reservatórios de acumulação. A relação entre o armazenamento de energia nos reservatórios e da demanda no país caiu de 6,7% em 2000 para 4,5% em 2011", aponta estudo realizado pelo Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite), da Universidade Federal de Alagoas.

Maior reservatório de água no Sudeste, Furnas (responsável por 18,4% do total armazenado nos reservatórios das duas regiões), segundo dados do ONS, estava com 15,96% do volume útil, segundo dados de novembro. No dia 20 de dezembro, o site do ONS já apontava para uma queda para 11,96% no índice. Em janeiro, esse volume era de 94,1%.

O meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Lapis, afirma que, assim como em 2001, a situação da geração de energia no país pode ser comprometida, já que a previsão de chuvas até novembro aponta para precipitações abaixo da média.

"Furnas, por exemplo, é um dos maiores do mundo e está com o menor nível de operação da barragem desde 1971. O reservatório está a um nível de 756 metros, seis metros acima do seu limiar", disse, citando que, apesar da baixa, o governo do Estado informou que que a planta está operando a plena carga.

Segundo Barbosa, outra planta que apresenta um quadro preocupante é o de Itumbiara, entre os municípios de Itumbiara (GO) e Araporã (MG), que está operando com 9,64% de acúmulo de água em sua capacidade, segundo o ONS. É o menor índice entre os principais reservatórios do país.

Soluções

Para o meteorologista, uma das soluções para o país seria investir no potencial da geração de energia pelo sol e pelos ventos. Um mapa de irradiação produzido pelo Lapis aponta que o país tem um potencial altíssimo de geração energética.

"A energia solar tem ainda mais potencial do que é a eólica. A energia solar está disponível em praticamente todas as regiões do país. O potencial de energia solar diária média na região Nordeste é 5,46 kWh por m². Isso é muito alto e poderia ser um matriz energética complementar na região", afirmou.

Procurado pelo UOL, o ONS informou que, apesar dos índices dos reservatórios estarem abaixo do ideal, a geração de energia segue sem prejuízos. O órgão informou ainda que não existe a possibilidade de um novo racionamento em 2013, já que o país está com as termelétricas ligadas pelo menos até janeiro, e podem permanecer por mais tempo, a fim de compensar a possível continuidade da estiagem.

Ainda segundo dados do ONS, a geração de energia do país vem se mantendo estável ao longo do ano, mesmo com a queda de níveis nos reservatório.

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