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Não temos terremoto, mas temos chuva, diz Cabral sobre tragédia em Petrópolis

Deslizamento de terra é registrado na rua Olavo Bilac, em Petrópolis - Reprodução/Twitter
Deslizamento de terra é registrado na rua Olavo Bilac, em Petrópolis Imagem: Reprodução/Twitter

Hanrrikson de Andrade e Julia Affonso

Do UOL, em Petrópolis e no Rio de Janeiro

18/03/2013 14h28Atualizada em 18/03/2013 15h01

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou nesta segunda-feira (18), em entrevista coletiva no gabinete da prefeitura de Petrópolis, região serrana, que a tragédia que deixou pelo menos 16 mortos durante o temporal que atinge a cidade desde a tarde de domingo ocorreu devido a uma série de fatores: solo instável na região, ausência de políticas habitacionais por três décadas e uma "grande fatalidade". "Não temos neve, não temos furacões, não temos terremotos, mas temos chuva", disse.

Segundo o governador, 650 pessoas ficaram desabrigadas --140 famílias-- devido à chuva. Essas pessoas foram encaminhadas para 18 abrigos, dos quais 16 são escolas estaduais e municipais e dois são instituições religiosas. As escolas municipais Papa João Paulo e Marcelo Alencar são as que concentram o maior número de famílias.

A chuva fez duas vítimas fatais em Quitandinha, uma em Doutor Thouzet, duas em Alagoas, uma em Lagoinha, quatro em Bingen e três em Independência. Trinta e três feridos, segundo a Defesa Civil estadual foram socorridos em Quitandinha, Doutor Thouzet, Sargento Boening, Lopes Trovão, Centro, Independência, Floresta e Castelânia.

Cabral afirmou ainda que o sistema de alerta da prefeitura funcionou com êxito. "Muitas vidas foram poupadas", explicou o governador. Ele disse que todo o grupo de Salvamento do Corpo de Bombeiros Estadual --250 pessoas-- está mobilizado em Petrópolis. Além disso, 500 pessoas foram contratadas emergencialmente para atuar no serviço de limpeza urbana.

Para isso, foram liberados R$ 3 milhões por parte do Estado e R$ 200 mil pela prefeitura para ações de assistência social. Segundo o prefeito, Rubens Bomtempo, serão contratadas mais 500 pessoas e a compra de material de higiene, fraldas, leite em pó e itens básicos para quem ficou sem residência será priorizada.

Mais cedo, o Governo do Estado do Rio de Janeiro informou que a Força Nacional de Defesa Civil está em deslocamento para a cidade de Petrópolis. A Força Nacional de Apoio Técnico de Emergência. ligada ao Ministério de Integração Nacional, foi criada para atuar na prevenção de desastres naturais e para ajudar na reconstrução de municípios destruídos.

Entre os mortos pela chuva, estão dois técnicos da Defesa Civil. Há também dois irmãos --um adolescente e um bebê-- moradores do bairro de Quitandinha entre as vítimas fatais. Eles estavam em casa quando foram soterrados durante um deslizamento de terra.

A cidade foi o local mais afetado pelas forte chuvas que atingiram o Estado do Rio de Janeiro nas últimas 24 horas, apresentando 21 pontos de escorregamento ou alagamento. As localidades mais afetadas foram Quitandinha (com acumulado de 390 mm de precipitação em 24 horas), Independência (com acumulado de 277 mm de precipitação em 24 horas) e Doutor Thouzet (com acumulado de 267 mm de precipitação em 24 horas). A Defesa Civil estadual ainda informou que as fortes chuvas atingiram também os municípios de Angra dos Reis, Mangaratiba, Niterói, Teresópolis e Petrópolis.

Teresópolis

Segundo a Defesa Civil, a chuva não deixou vítimas em Teresópolis, onde houve duas quedas de barreira --uma no bairro Santa Cecília e outra em Guarani--, uma queda de muro em Corta Vento, um deslizamento na Coreia e um alagamento em Vargem Grande. Durante a noite, as maiores quantidades de chuva foram de 168mm no Rosário, 100mm no Corta-vento e 89,4mm na Quinta Lebrão. Nesta manhã, a chuva diminuiu e caiu fina.

Angra dos Reis

Em Angra dos Reis, equipes da Defesa Civil se deslocaram por volta das 21h de domingo para o Parque Mambucaba, a Japuíba e o Pontal, onde houve transbordamento de rios. Em Mambucaba, o rio que passa pelo bairro já teve seu pico de maré. Na Japuíba, outro rio tem pontos de transbordamento na altura das ruas Rio Bonito e Mangaratiba.

Magé

O dique do rio Roncador, que passa por Magé, região metropolitana do Rio de Janeiro, se rompeu na tarde desta segunda e alagou o bairro Vila Liberdade, no município. Segundo a prefeitura da cidade, a água invadiu as casas da região deixando 120 famílias estão desalojadas e sete desabrigadas.

A Defesa Civil de Magé decretou estado de alerta no município. Nas últimas 24 horas, choveu mais do que o volume esperado para todo o mês de março. Na estação de monitoramento pluviométrico, foi constatado que nas últimas 24 horas o volume de chuva bateu a marca de 160 milímetros –o esperado para todo o mês era o equivalente a 280 milímetros. O rio Roncador, no primeiro distrito, transbordou, e as equipes da Defesa Civil identificaram pontos de deslizamentos, mas os principais problemas detectados na cidade são as inundações.

Rio de Janeiro

A chuva colocou a capital fluminense em estado de atenção. O Rio de Janeiro entra neste nível quando há previsão de chuva moderada, ocasionalmente forte, nas próximas horas. Neste estágio, os operadores do Sistema Alerta Rio, da prefeitura, ficam em constante comunicação com os órgãos municipais que atuam nas situações de chuva.

Mais chuva

Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a previsão para a região serrana nesta segunda-feira é de tempo nublado a encoberto com pancadas de chuva e trovoadas. A possibilidade de chuva é de 60% a 90% durante a tarde e a noite. A temperatura fica entre 16 °C e 25 °C. Já para terça-feira (19), a previsão é de tempo nublado a encoberto com chuva, com temperatura variando entre 14 °C e 24 °C. O governador Sérgio Cabral afirmou que o município está em alerta máximo: "Estamos ainda em alerta máximo, total alerta máximo. (...) Peço encarecidamente para que as pessoas não saiam de suas casas."

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