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Bola admite conhecer investigados por morte de Eliza Samudio, mas nega participação no crime

Carlos Eduardo Cherem e Rayder Bragon

Do UOL, em Contagem (MG)

27/04/2013 01h26Atualizada em 27/04/2013 09h08

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, réu sob as acusações de ter matado e escondido o corpo de Eliza Samudio, em 2010, admitiu neste sábado (27), durante seu depoimento no Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem (MG), conhecer os policiais José Lauriano de Assis Filho, o Zezé (já aposentado), e Gilson Costa.

Ambos não chegaram a ser indiciados à época no inquérito que investigou o sumiço da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, mas agora são alvo de uma investigação complementar e sigilosa feita pela Polícia Civil de Minas Gerais, a pedido do Ministério Público (MP)

No depoimento, Bola negou todas as acusações de que teria participação na morte de Eliza e disse estar preso “injustamente” há três anos.

Bola começou a depor neste sábado por volta de meia-noite, mas a sessão foi encerrada às 1h35 para que seja reiniciada às 10h.

A quebra do sigilo telefônico dos réus do caso durante as investigações da polícia mineira revelou troca de ligações entre Zezé e Bola; entre Zezé e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão --ex-braço direito do goleiro Bruno Fernandes, condenado a quinze anos pela morte de Eliza Samudio --e entre Bola e Macarrão.

No dia 10 de junho de 2010, data apontada pela polícia mineira como sendo a da morte da ex-modelo, Zezé ligou três vezes para Bola durante a noite, período em que, também segundo o inquérito, a ex-modelo teria sido morta na casa do ex-policial, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. 

Para a polícia, as ligações são suspeitas e podem indicar um suposto envolvimento do policial aposentado no crime. Segundo a promotoria, Zezé teria monitorado, a pedido dos réus do caso, as ações da polícia a partir da denúncia anônima sobre o assassinato de Eliza Samudio. As suspeitas sobre uma suposta participação do policial Gilson Costa no caso não foram divulgadas pela polícia.

Questionado pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do 1º Tribunal do Júri, de Contagem, Bola disse que é amigo de Zezé e confirmou que deu o contato de Macarrão ao policial aposentado. Sobre Gilson Costa, Bola disse conhecê-lo há 22 anos.

Em um depoimento que durou cerca de uma hora e meia, o ex-policial também justificou o contato que fez com Macarrão dizendo que estava tentando com o ex-braço direito do goleiro Bruno Fernandes uma vaga para o filho em um time de futebol. 

Bola também criticou a forma como teria sido tratado pela polícia mineira dizendo que foi tratado “igual a um cachorro” pelos delegados responsáveis pela investigação sobre o sumiço da ex-modelo --tanto Bola quanto seu advogado, Ércio Quaresma, têm desavenças públicas com o ex-delegado Edson Moreira, que chefiou as investigações.

Mãe de Eliza destitui assistente de acusação

Este quinto dia de julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, também foi marcado pela destituição do advogado José Arteiro Cavalcante, assistente do promotor Henry Castro, e de Adnam Linhares, que integra a equipe de Arteiro.

A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues leu em plenário uma petição enviada pela mãe de Eliza Samudio, Fátima Moura, na qual ela comunica a destituição de Arteiro, por motivo de “foro íntimo”. A advogada Maria Lúcia Gomes, também assistente de acusação, foi mantida.

O depoimento do ex-policial Bola será retomado em nova sessão do julgamento, neste sábado (27), a partir das 10h. Para a mesma sessão, está previsto o debate entre a defesa e a acusação e a reunião do conselho de sentença

 

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