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Pioneira em ciclovias, Curitiba fica para trás; prefeitura diz que 'falta interesse'

Rafael Moro Martins

Do UOL, em Curitiba

20/09/2013 06h00

Pioneira na implantação de ciclovias no país, a capital paranaense começou a construir sua rede de 118 km em 1977. À época, porém, elas visavam o lazer, ligando o espaço urbano a parques e bosques da cidade. Ao longo da década de 1980, a rede cresceu, mas as vias mantiveram o perfil prioritário de espaços para lazer.

Assim, em Curitiba, é comum ver ciclistas que usam as "magrelas" como meio de transporte, disputando espaço com os ônibus biarticulados nas pistas exclusivas do transporte público – conhecidas na cidade como “canaletas”, já que elas oferecem ligações rápidas entre o centro e as outras regiões.

“Não houve mudanças de traçado nas ciclovias para o centro. E os estacionamentos públicos para bikes, os paraciclos da prefeitura, ficam em locais onde não há ciclovias. Para chegar a eles, é preciso trafegar pela rua”, afirma o jornalista João Pedro Amorim Junior, usuário constante da bicicleta como meio de lazer. “Usaria para ir trabalhar, no centro, se houvesse infraestrutura adequada.”

Por conta disso, o número de acidentes é alto e cresceu em 2013 na comparação com o ano anterior. Segundo o BPTran (Batalhão de Polícia de Trânsito da PM), de janeiro a agosto deste ano, houve 177 acidentes com vítimas envolvendo bicicletas, com 173 ciclistas feridos e um morto. São mais ocorrências e vítimas que em todo o ano passado, quando se contaram 166 acidentes, 158 ciclistas feridos e três mortes.

Pressionada por um movimento cicloativista forte, nos últimos anos a prefeitura tratou de construir opções para quem usa a bicicleta como meio de transporte. Ainda assim, não escapou de críticas.

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Inaugurada em fins de 2011, a ciclofaixa da avenida Marechal Floriano Peixoto (que liga o centro ao populoso bairro do Boqueirão, na região sul) foi alvo de protestos. O motivo é por conta de alguns trechos terem apenas 0,75 m de largura, metade da distância mínima que veículos devem manter dos ciclistas, segundo o Código de Trânsito Brasileiro.

Em outro caso, na avenida Toaldo Túlio, na região oeste, a ciclovia corre sobre a calçada e é compartilhada com pedestres. Além disso, é preciso que os ciclistas desviem dos pontos de ônibus – há vários deles instalados sobre o leito da via para bicicletas.

Outra iniciativa da prefeitura, a ciclofaixa de lazer no centro da cidade, planejada para operar apenas um domingo por mês, também foi boicotada pelos ativistas do pedal. Desta vez, eles reclamaram que a pintura obrigava os ciclistas a usarem o lado esquerdo das ruas, quando o regulamento de trânsito define que as bicicletas devem seguir pelo lado direito.

Pouco utilizada, a ciclofaixa de lazer acabou desativada no início de 2013 pelo novo prefeito, Gustavo Fruet (PDT), que sucedeu Luciano Ducci (PSB). Fruet, que foi à cerimônia de posse de bicicleta – protegido por viaturas da Setran (Secretaria de Trânsito de Curitiba) –, disse durante a campanha eleitoral que iria implantar mais 300 km de ciclovias na cidade. Por ora, exceção feita a uma nova ciclofaixa para lazer aos fins de semana, só há planos.

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  • http://noticias.uol.com.br/enquetes/2013/09/18/voce-usa-a-bicicleta-como-meio-de-transporte.js

“Ao longo da atual gestão, a Prefeitura de Curitiba vai investir mais de R$ 90 milhões na implantação do novo Plano Diretor Cicloviário”, informa o Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), via assessoria de imprensa.

Segundo o órgão, o plano “vai contemplar 300 km de vias cicláveis, das quais 90 km de ciclorrotas, 80 km de vias calmas e 130 km de vias cicláveis (entre ciclovias, ciclofaixas e passeios compartilhados entre pedestres e ciclistas)”.

Além da prometida recuperação de parte da malha cicloviária já implantada, a prefeitura acena com novidades como as ciclorrotas, vias de tráfego comum e de baixo movimento, com sinalização horizontal e vertical alertando para a presença de ciclistas. Nelas, nas palavras do Ippuc, “veículos motorizados e bicicletas compartilham o mesmo espaço, com preferência para os ciclistas”.

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Na avenida Sete de Setembro, uma das principais artérias de ligação norte-sul da cidade, em que atualmente os ciclistas brigam por espaço com os ônibus biarticulados, a prefeitura promete implantar a primeira das chamadas “vias calmas”. Numa extensão de 6,3 km, os ciclistas passarão a transitar exclusivamente pelo lado direito da via, sobre área demarcada em linha tracejada.

“A velocidade máxima permitida para carros e motos será de 30 km/h. Para tanto, além de ampla sinalização horizontal e vertical, haverá a instalação, a cada 60 metros, aproximadamente, de amplas lombadas que obrigam os veículos automotores a reduzir a velocidade”, informou o Ippuc. A obra, porém, só deve sair do papel em 2014, ao custo de R$ 1,5 milhão.

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Enquanto isso, o projeto de aluguel de bicicletas foi fechado após alguns meses de funcionamento em dois quiosques instalados às margens de ciclovias da cidade.

O motivo foi por falta de interesse dos usuários. “Tratava-se de um empreendimento particular que, segundo o dono, estava gerando um grande prejuízo mensal”, informou o Ippuc.

Ao menos por ora, nenhuma iniciativa do tipo está planejada para a capital paranaense.

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