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Corpo de Amarildo ainda não apareceu, diz delegado após entregar inquérito

Giuliander Carpes

Do UOL, no Rio

02/10/2013 17h05

O delegado da DH (Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro) Rivaldo Barbosa reconheceu na tarde desta quarta-feira (2) que a polícia não sabe o paradeiro do pedreiro Amarildo de Souza, 47, que desapareceu durante uma operação policial na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. "O corpo do Amarildo ainda não apareceu. Mas temos esperança que venha a aparecer. Apesar do fim do inquérito, outras diligências devem ser feitas para procurá-lo nos próximos dias", afirmou.

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"A coragem que tempera o inquérito do caso Amarildo é inversamente proporcional ao destaque diminuto que as conclusões policiais receberam nos meios de comunicação: parece que se trata apenas de mais uma peça produzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro"

Barbosa entregou na noite desta terça-feira (1º) o inquérito sobre o caso, em que indicia dez policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da comunidade - inclusive o ex-comandante, major Edson Santos.

Barbosa pediu a prisão preventiva e indiciou os policiais militares pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. Apesar de ter convocado entrevista coletiva, o delegado não quis entrar em detalhes sobre as provas dos delitos imputados aos agentes e disse apenas que cabe ao Ministério Público avaliá-las.

"Estamos convictos do resultado do inquérito. O indiciamento se deve a um conjunto de provas testemunhais e de inteligência que estão nos autos", afirmou o delegado, sem especificar o tipo de tortura sofrida por Amarildo.

  • Arte UOL

Segundo reportagem de "O Globo" publicada nesta quarta, o pedreiro teria sido vítima de choques elétricos e interrogatório com auxílio de um saco plástico na cabeça. Como era epiléptico, acabou não resistindo. Os policiais teriam tentado arrancar dele informações sobre localização de armas e traficantes da parte baixa da favela, onde Amarildo morava com a família.

O delegado disse apenas que não há indícios de que esta tortura tenha ocorrido dentro do contêiner da UPP. "Não existia nenhuma marca de sangue no contêiner."

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