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Estiagem provoca morte de milhares de peixes em rio no interior de SP

De acordo com a Cetesb, os peixes morreram por falta de oxigênio na água - Mateus Medeiros/Divulgação
De acordo com a Cetesb, os peixes morreram por falta de oxigênio na água Imagem: Mateus Medeiros/Divulgação

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

15/08/2014 17h34

Piracicaba (a 164 km de São Paulo) testemunhou a mortandade de milhares de peixes desde a última quarta-feira (13) no rio que leva o nome da cidade. A estiagem, que baixou a vazão do rio para o menor nível em 30 anos, prejudicando a taxa de oxigênio na água, é apontada como causa da morte.

Estimativa da Prefeitura de Piracicaba indica que o total de peixes atingidos esteja entre uma e duas toneladas. É a segunda grande mortandade de peixes registrada neste ano no rio.

Segundo a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), na terça-feira (12) foram observados peixes buscando o ar na superfície. Na quarta, começaram as mortes dos animais, especialmente bagres, mandis e lambaris, que foram encontrados boiando em maior quantidade em uma área de aproximadamente mil metros no bairro Nova Piracicaba.

Em fevereiro, uma outra mortandade de peixes, de maior proporção que a registrada nesta semana, causada pelo mesmo problema, atingiu o Piracicaba, matando 20 toneladas de peixes.

O professor Adílson Peres Schiori, 28, que passa pelo rio diariamente para ir ao trabalho e costuma pescar no manancial, tem sido comum ver peixes mortos nos últimos tempos. “Vira e mexe, aparece um ou outro. Nesta semana, foi bem mais. É triste, porque já vi dourados, piaparas, peixes que adoraria pegar, todos mortos”, disse. “É uma maldade o que estão fazendo com o nosso rio.”

De acordo com a Cetesb, os peixes morreram por falta de oxigênio na água. A instituição afirmou que o trecho onde a mortandade foi registrada tinha 0,3 miligramas de oxigênio por litro de água, quando o mínimo necessário para manter os peixes vivos é de 2mg/l. Abaixo desse valor, os animais não conseguem captar o oxigênio, o que os tornam mais suscetíveis a doenças.

“De maneira geral, valores de oxigênio dissolvido menores que 2 mg/l pertencem a uma condição perigosa, denominado hipoxia, ou seja, baixa concentração de oxigênio dissolvido na água”, disse a instituição, afirmando ainda que, para o trecho do rio, o índice costuma ficar entre 6 mg/l e 3 mg/l.

De acordo com a Cetesb, o quadro é causado pela “severa estiagem” vivida pelo Estado de São Paulo. “A vazão do Piracicaba encontra-se muito reduzida e, dessa forma, o rio torna-se muito mais vulnerável, pois apresenta baixa capacidade de diluição dos poluentes, com a consequente diminuição da concentração de oxigênio dissolvido na água”.

Vazão

O rio Piracicaba apresentou, nesta semana, a menor vazão dos últimos 30 anos na série histórica de medição do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica). A vazão chegou a 10,93 mil litros de água por segundo, com nível de apenas 79 centímetros no trecho urbano de Piracicaba, ambos recordes negativos. A média para agosto é de 55,5 mil litros de água/segundo de vazão e nível de 1,42 metro de profundidade.

A menor vazão havia sido registrada em setembro de 2003, com volume de 14,69 mil litros de água por segundo e profundidade de 91 centímetros, segundo o Daee.

Segundo Ricardo Leão Schmidt, integrante da Ong Florespi, dedicada a causas ambientais, a utilização intensiva das águas do Piracicaba e seus afluentes para o abastecimento prejudica a capacidade de sobrevivência dos animais.

“A vazão está muito baixa, e as retiradas de água, intensas. Isso diminui a quantidade de água disponível para o rio. Além disso, a carga de poluentes é a mesma, com muito menos água”, afirmou. “O Sistema Cantareira tem sido um grande vilão para a saúde do rio Piracicaba.”, disse.

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