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Terreiro de candomblé é incendiado no Distrito Federal

Um templo de religião de matriz africana foi incendiado  - Divulgação/Corpos de Bombeiros do DF
Um templo de religião de matriz africana foi incendiado Imagem: Divulgação/Corpos de Bombeiros do DF

Alessandra Modzeleski

Colaboração para o UOL, em Brasília

27/11/2015 12h30Atualizada em 27/11/2015 13h30

Um tempo religioso de candomblé foi incendiado na madrugada desta sexta-feira (27), na região do Paranoá, no Distrito Federal. Por volta de 5h desta madrugada, o terreiro, casa da Mãe Baiana, localizada nos fundos de uma chácara, foi destruído pelo fogo.

Não há vítimas, segundo informações do Corpo de Bombeiros. Marta Carvalho, filha da casa, disse que no local estavam dormindo seis pessoas na hora do incêndio, inclusive a Mãe Baiana, comandante do terreiro, que acordou com os estalos provados pelo fogo.

"O incêndio destruiu todo o nosso barracão. Lá estavam nossas roupas de santo, fundamentos e nossa história de dez anos", relatou. Segundo Marta, o terreiro é o único da região e nunca tinha sofrido ataques. "Mesmo sem histórico, acreditamos que esse incêndio não foi acidental. Diante da postura da Mãe Baiana, como liderança do nosso povo, da nossa religião acredito que foi causado por intolerância religiosa", declarou.

Os organizadores da casa acionaram a Procuradoria-Geral da República e a procuradora federal Lígia Maria da Silva Azevedo Nogueira, da Fundação dos Palmares. Ela foi ao local e acompanhou a Mãe Baiana na delegacia para registrar a ocorrência.

Esse é o caso mais recente de ataque a terreiros de religião de matriz africana na região do Distrito Federal. Em setembro, dois templos foram incendiados na mesma noite. Um caso ocorreu em Santo Antônio do Descoberto e outro em Águas Lindas, ambos municípios de Goiás, aproximadamente 50 km distantes do DF. Os casos ainda são investigados e ninguém foi preso.

A Secretaria de Segurança Pública do DF não tem dados de quantas ocorrências dessa natureza foram registradas neste ano. Segundo a pasta, esses casos entram no sistema como "dano ao patrimônio". Marta Carvalho diz que o movimento no DF contabilizou 13 ataques em 2015 a terreiros de matriz africana. "Nós sabemos que o povo da nossa religião tem sofrido. Vamos chamar a sociedade em um mutirão e recomeçar", afirma.
 

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