Após novas mortes em cadeia improvisada, presos são transferidos para o interior do AM

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Raphael Alves/AFP Photo

    Policiais fazem ronda na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus

    Policiais fazem ronda na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus

Por ordem do juiz Flávio Henrique Albuquerque de Freitas, 20 presos foram levados da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus, para o presídio de Itacoatiara, cidade que fica a cerca de 270 quilômetros da capital amazonense. A transferência aconteceu na manhã desta segunda-feira (9), segundo o Comitê de Gerenciamento de Crise. 

Na madrugada de domingo (8), quatro detentos morreram após uma rebelião na cadeia pública. O local, que ficou desativado por três meses por falta de estrutura e segurança, foi reaberto no dia 3 de janeiro para receber 283 detentos após os massacres que deixaram 60 mortos em dois presídios, no início do mês. Três dos presidiários mortos no Raimundo Vidal foram decapitados. O outro morreu asfixiado. 

Segundo a SEAP (Secretaria de Administração Penitenciária), os detentos estariam correndo risco de morte, o que motivou um pedido da Defensoria Pública do Amazonas pela transferência.

De acordo com o Comitê, após o confronto, dez internos receberam atendimentos médicos básicos na cadeia pública. Deles, sete tiveram de ser encaminhados para atendimentos em unidades de saúde de Manaus, mas retornaram em seguida para a Cadeia Pública

Análise: de quem é a responsabilidade sobre a matança no AM?

Em nota, o defensor público geral do Amazonas, Rafael Barbosa, disse que não havia, na cadeia pública, local em que os detentos pudessem "ser mantidos seguros e livres de qualquer risco". Barbosa esteve na Raimundo Vidal na noite de domingo, após o conflito.

Na decisão, o juiz afirmou que não restavam dúvidas da necessidade da transferência. A decisão, segundo ele, tem como objetivo o resguardo da integridade física dos presos, já que haveria risco de novos conflitos e mortes se eles permanecessem no local.

Em nota, o Comitê de Gerenciamento de Crise do Amazonas disse que presos "iniciaram uma briga por motivo desconhecido" e que quatro detentos "foram mortos pelos próprios internos".

Pedido

Após a rebelião de domingo, o governador do Amazonas, José Melo (Pros), pediu, ao governo federal, o apoio da Força Nacional de Segurança.

No ofício, encaminhado ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, Melo chega a citar que a situação no Estado está levando os servidores da área de segurança pública a "limites preocupantes" e diz que a nova rebelião motivou o pedido de auxílio da Força Nacional.

"O trabalho que está sendo feito desde o dia 1º de janeiro, não só no Sistema Prisional em si, mas ainda na busca incessante da captura dos foragidos e no aumento do policiamento investigativo e ostensivo nas ruas de Manaus e no Interior do Estado, está levando os envolvidos [Polícia Militar, Polícia Civil, Secretaria de Segurança Pública, Inteligência] a limites preocupantes, do ponto vista físico e psicológico", diz o documento.

Ainda segundo o pedido de Melo, o envio da Força Nacional ao Amazonas "tem por finalidade o necessário apoio ao Sistema Prisional deste Estado, que se encontra em dificuldades financeiras em face da crise nacional, daí que os gastos correspondentes sejam arcados pelo Governo Federal".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos