Pai de menino Joaquim gastou R$ 2.000 para achar padrasto

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, em Ribeirão Preto (SP)

Quatro meses depois de o homem que matou seu filho tornar-se foragido, Arthur Paes, pai do menino Joaquim, 3, morto em 2013 em Ribeirão Preto (SP), resolveu utilizar as redes sociais para buscar pistas que possam levar a polícia ao assassino.

Desde a semana passada, ele paga um anúncio no Facebook para que a postagem com a foto de Guilherme Longo, réu confesso no caso, e a informação de que ele é foragido seja exibida para o maior número de pessoas possível.

A busca do pai pela punição do assassino o faz percorrer delegacias da cidade e da cidade vizinha, em busca de novidades do caso sempre que pode --ele mora e trabalha em São Paulo.

Qualquer informação sobre o paradeiro de Longo, reforça o pai, deve ser repassada ao Disque Denúncia, no telefone 181, e à polícia, no 190. "Sem a ajuda de vocês, não vou fazer nada. Sou um pai que está sofrendo pela dor de ter perdido um filho da forma como foi, e isso vai amenizar a minha dor", disse.

A campanha nas redes sociais não é a primeira realizada por Arthur para encontrar Guilherme Longo. No ano passado, nas semanas que sucederam ao desaparecimento do acusado, Arthur já havia colocado uma série de outdoors em Ribeirão Preto na tentativa de encontrá-lo.

Busca pelas redes sociais

"Nossa página tem 20 mil seguidores. Uma divulgação que eu faço e impulsiono consigo abranger cerca de 200 mil pessoas em uma semana. Investimos cerca de R$ 2 mil divulgando as fotos do Guilherme foragido e a abrangência é muito boa", disse.

Ele informou ainda que cuida pessoalmente da checagem das informações e que responde a todas as mensagens. "Eu olho e-mail, eu respondo a rede social, e estamos atrás de todas as denúncias. Ligo direto para o meu advogado ou para a polícia e repasso as informações", disse.

Arthur informou ainda que algumas pistas forneceram informações relevantes. "Temos algumas pistas, mas não posso adiantar para não atrapalhar as investigações. Estamos trabalhando para que seja feita a Justiça", disse.

O advogado Alexandre Durante, que representa Arthur, conta que as medidas são uma forma de ajudar a polícia: "Já se passaram mais de três anos, e o réu confesso desse crime bárbaro está foragido, longe da cadeia".

Para Arthur, entretanto, a Justiça errou ao colocar Longo em liberdade. "A polícia está fazendo o trabalho dela, mas é revoltante saber que a Justiça colocou o assassino do meu filho em liberdade. Eu até sugeri que eles colocassem tornozeleira nele, tinha certeza que ele iria acabar fugindo, mas não fui atendido. Fico revoltado em saber que o homem que matou meu filho está por ai, curtindo a vida", disse.

A reportagem do UOL tentou falar com Antonio Carlos Oliveira, advogado de Guilherme Longo, mas ele não foi localizado para comentar o caso.

O caso

Joaquim Ponte Marques foi encontrado morto por um pescador no dia 10 de novembro de 2013 no rio Pardo, em Barretos. Cinco dias antes, ele havia desaparecido da casa onde vivia com a mãe, Natália Ponte, o padrasto, Guilherme Longo, e o irmão mais novo, em Ribeirão Preto. O pai do menino, Arthur Paes, é separado de Natália e vive em São Paulo.

A Polícia Civil concluiu que o padrasto matou o menino, que sofria de diabetes, com uma alta dose de insulina, e jogou o corpo em um córrego próximo à residência da família. Esse córrego deságua no rio Pardo, onde o corpo foi encontrado.
Longo foi indiciado por homicídio triplamente qualificado. Ele chegou a ser preso em janeiro de 2014 e esperava pelo julgamento em Tremembé, mas foi liberado, através de um habeas corpus, em fevereiro do ano passado.

Durante todo o processo judicial, Longo negou o crime, mas, em setembro de 2016 concedeu uma entrevista a uma produtora da TV Record de Ribeirão Preto onde admitiu que matou o menino com as próprias mãos depois que o menino o acordou, de madrugada, para pedir uma mamadeira. Depois da entrevista, ele sumiu sem dar notícias e é considerado foragido desde então.

Segundo o promotor do Ministério Público Marco Túlio, responsável pela denúncia, o trabalho de investigação já foi concluído e o caso espera agora a definição judicial. Como está foragido, Longo só poderá ser julgado depois de ser encontrado.

Além de Longo, a mãe do menino, Natália Ponte, também foi indiciada pela Justiça por homicídio. Ela é acusada de ter sido omissa em relação à segurança do filho, por saber que Longo era agressivo e havia voltado a usar drogas na época da morte do garoto.

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