PM e servidores têm confronto com bombas e fogos em ato contra ajuste no Rio

Carolina Farias

Colaboração para o UOL, no Rio

Um protesto de servidores do Estado do Rio de Janeiro contra o pacote de ajuste fiscal do governo, que aconteceu no entorno da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), durou mais de quatro horas e foi marcado pelo confronto entre manifestantes e policiais militares do Batalhão de Choque na tarde desta quinta-feira (9).

Durante passeata, os servidores começaram a lançar fogos e foram reprimidos pela PM com bombas de efeito moral (explosivos de baixa letalidade que, ao explodir, produz estilhaços, som alto e uma nuvem espessa de fumaça). No confronto, a reportagem também presenciou homens mascarados lançando coquetéis molotov contra as forças de segurança.

Os servidores fizeram ao menos duas barricadas, e foram vistos focos de foco em pontos isolados no entorno da casa legislativa.

Segundo informações da Polícia Militar, cinco PMs ficaram feridos durante o confronto e foram levados para o hospital da corporação, além de um agente que foi medicado na própria Alerj. Alguns deles chegaram a ser encurralados pelos manifestantes, mas foram resgatados pelo carro blindado do Bope (Batalhão de Operações Especiais).

Por cerca de uma hora, houve trégua no confronto, quando os manifestantes voltaram a se reunir na frente da Alerj. Pouco tempo depois, no entanto, a PM voltou a usar bombas e balas de borracha para dispersar o protesto.

Em nota, a PM afirmou que foi atacada "por um grupo de mascarados, que atiraram pedras, rojões e coquetéis molotov contra as equipes". Um homem foi preso, segundo a corporação, jogando pedras contra os policiais.

Era grande a quantidade de jovens com camisetas escondendo o rosto e até com escudos improvisados, alguns usando tapumes arrancados da fachada de agências bancárias.

Mais cedo, uma agência bancária foi incendiada. Os manifestantes utilizaram o material instalado pelo banco para proteger a agência, como estacas, para quebrar o vidro e ter acesso ao seu interior.

Em seguida, utilizaram os tapumes como escudo contra as bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar.

No início da noite, agências dos bancos Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil foram depredadas na rua da Assembleia e na esquina com a Rio Branco. A loja Oborn, de roupas, na mesma esquina, foi saqueada.

O protesto foi dispersado após ação do batalhão de choque.

Cedae

A Alerj se prepara para discutir a venda da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos). Prevista no Projeto de Lei nº 2.345/17, a medida começou a ser discutida na última terça-feira (7), mas foi adiada para hoje.

O projeto autoriza o governo a usar as ações da Cedae como garantia para um empréstimo de R$ 3,5 bilhões com a União. A venda  faz parte da condição para o Plano de Recuperação Fiscal do Rio de Janeiro, negociado com o Ministério da Fazenda.

Se aprovado, o projeto determina que o governo do Rio terá seis meses para contratar instituições financeiras para avaliar a companhia e criar o modelo de venda. A privatização tem sofrido forte oposição do Movimento Unificado dos Servidores Públicos do Estado, de deputados da oposição e também dos funcionários da Cedae, que decretaram greve e temem pelos seus empregos e pela qualidade do serviço da companhia.

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