Com mais conflitos por terra, 2016 tem alta expressiva de expulsões de famílias

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Hélio Freitas/CampoGrandeNews

    Índios guarani-kaiowás carregam caixão com o corpo do jovem Aquileu, morto no MS

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O levantamento 'Conflitos no Campo Brasil 2016", divulgado nesta segunda-feira (17) pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), revela que as disputas por terra cresceram no país e resultaram em alta expressiva de violência contra o camponês no último ano.

O número de conflitos por terra chegou a 1.295 em 2016 (média de 3,8 conflitos por dia), 30% a mais que os 998 de 2015. Desde 1985, quando começou a fazer o estudo, somente nos anos 2003 a 2005 o número de conflitos foi maior que o de 2016.

Para a CPT, a violência segue uma lógica, que começa pelas ocupações, passam pela criação de acampamentos, que geram as ocorrências de conflito. Contexto acelerado pelo ritmo lento da reforma agrária nos últimos anos no país.

Altas expressivas

O maior crescimento entre os números é a expulsão de famílias de terras. A CPT classifica nesse ranking as ações feitas pelo "poder privado do latifúndio e do agronegócio". Entre 2015 e 2016, houve um crescimento de 232%, pulando de 795 famílias expulsas em 2015, para 2.639 no ano passado.

O dado de pessoas que sofreram violência também saltou assustadoramente: 205% em 12 meses. Ao todo, 571 pessoas foram agredidas fisicamente em 2016, contra 187 no ano anterior.

No ano passado foram 61 pessoas assassinadas (22% a mais que os 50 de 2015), 21 delas em Rondônia. O Estado desde 2015 lidera esse ranking por conta da disputa por terras estatais, onde ocorre grilagem.

A lista de pessoas que receberam ameaças de morte também cresceu 39% no ano passado, saltando de 144, em 2015, para 200.

"A chegada do golpista Michel Temer, ao governo da República, aprofundou aceleradamente a contrarreforma agrária em curso no Brasil. Sem dividir a terra e a água, em favor e sob o controle dos sujeitos sociais historicamente oprimidos e explorados no campo, restam a violência e a destruição da natureza", afirma a CPT.

Em nota, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) afirmou que a disputa pela posse da terra "não é a única causa dos conflitos no campo" e garantiu que "tem mediado este tipo de conflito no país desde a criação de sua ouvidoria agrária".

Sobre a política de distribuição de terras, o Incra ainda esclareceu que está impedido de assentar novas famílias desde abril de 2016 em função do acórdão 775/2016, do TCU (Tribunal de Contas da União), que suspendeu o programa de reforma agrária no país.
 

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