Violência no Rio

Mais um dia de tensão no Rio teve troca de tiros, 3 mortos, 1 criança ferida e 9 presos

Do UOL, no Rio*

  • ROMMEL PINTO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    23.set.2017 - Militar faz patrulhamento na Rocinha após novos tiroteios na madrugada

    23.set.2017 - Militar faz patrulhamento na Rocinha após novos tiroteios na madrugada

A tensão com a violência na disputa entre grupos de traficantes e em meio a uma megaoperação de segurança na favela da Rocinha (zona sul do Rio) e arredores neste sábado (23) teve um saldo de três suspeitos mortos, uma criança ferida e nove homens presos no Rio de Janeiro. Houve intensa troca de tiros no início da tarde, depois de registro de tiros durante a madrugada.

O tiroteio do início da tarde, que aparentemente ocorria na parte alta da comunidade, durou cerca de dez minutos, por volta das 13h, e obrigou militares e jornalistas a se abrigarem na 11ª DP, que fica no pé da favela. Ainda não há informações sobre o que teria desencadeado o tiroteio.

A Polícia Militar trocou tiros com suspeitos em pontos do Alto da Boa Vista, Tijuca e Santa Teresa. Nos dois primeiros casos, a Polícia Civil confirmou a suspeita de vínculo com os conflitos na Rocinha.

No Alto da Boa Vista, dois homens foram mortos e dois, presos, segundo a Polícia Civil. Foram apreendidos dois fuzis. Uma criança de 13 anos foi baleada e levada para o Hospital Souza Aguiar.

Na Tijuca, uma pessoa foi morta em confronto com a PM e outra, presa.

Apesar dos novos confrontos, o comércio abriu na manhã de hoje na região da Rocinha. Nos acessos à comunidade, dezenas de carros e tanques do Exército reforçam a segurança. Uma blitz de militares foi montada na estrada da Gávea. Homens do Exército utilizam drone para monitorar a região.

No começo da manhã, a Polícia Militar informou a apreensão pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) de cinco fuzis após criminosos em um táxi entrarem em confronto com os policiais.

Segundo a Secretaria de Segurança, o Bope montou um cerco na saída do túnel Zuzu Angel, após ser comunicado sobre uma perseguição de policiais do 23º BPM a um táxi com criminosos armados. Houve confronto. Os bandidos fugiram. Foram apreendidos cinco fuzis, 55 carregadores, 2.055 munições de diversos calibres, 110 papelotes de erva seca e 1.045 cápsulas de pó.

Às 5h30, já não havia mais relatos de confronto, embora a tensão permanecesse, com policiais fazendo policiamento na entrada da favela. A autoestrada Lagoa-Barra e o túnel Zuzu Angel, nos dois sentidos, chegaram a ser interditados preventivamente, mas já foram liberados.

Em outra ocorrência, por volta das 4h30, homens armados tentaram romper bloqueio do cerco estabelecido pelas Forças Armadas na comunidade, nas proximidades da rua General Olímpio Mourão Filho. O Exército prendeu quatro suspeitos que estavam no veículo, um Renault Symbol, e apreendeu um fuzil AK47 e quatro carregadores. Eles fizeram um motorista refém em seu carro para tentar entrar na favela.

Já a criança, de 13 anos, foi baleada no Alto da Boa Vista, bairro que liga as zonas sul e norte por meio do Parque Nacional da Tiijuca. De acordo com a Polícia Militar, ela foi levada pelos próprios militares ao hospital Souza Aguiar, onde segue internada. Não há informações sobre o estado de saúde dela.

A suspeita é de que traficantes estejam se escondendo nas matas do Parque Nacional da Tijuca durante os tiroteios para se esconder do cerco policial e dos militares que sobem a Rocinha.

Cinco granadas também foram apreendidas na manhã deste sábado na Rocinha. Em outra comunidade, na zona norte, foram apreendidos outros dez fuzis que, segundo a polícia, seriam levados para a Rocinha.

Mais cedo, por volta das 2h30, troca de tiros também foi registrada em outra comunidade, a Dona Marta, em Botafogo, na mesma região da cidade. Segundo a rádio CBN, policiais foram recebidos a tiros ao se aproximarem de um baile funk. O tiroteio no local teria durado cerca de 30 minutos.

Ainda na madrugada deste sábado, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos, com apoio da Core, prenderam Luiz Alberto Santos de Moura, conhecido como Bob do Caju. Segundo a polícia, o criminoso é um dos responsáveis pela invasão à Rocinha no último domingo (17).

Ele foi preso na Ilha do Governador, zona norte, em um bairro residencial. Com o criminoso foi apreendida uma pistola.

A polícia também apreendeu dez fuzis que seriam levados do Morro do Caju ao Morro do São Carlos para armar bandidos que dariam apoio ao tráfico na Rocinha. A informação aponta que os fuzis foram utilizados na invasão do último domingo, mas haviam retornado ao Caju em decorrência das operações policiais.

Marcos Arcoverde/Agência Estado
23.set.2017 - Militares do Exército são vistos durante operação na comunidade da Rocinha na zona-sul do Rio de Janeiro na manhã deste sábado (23)

Exército faz cerco

Militares das Forças Armadas e blindados entraram nesta sexta-feira (22) nos principais acessos da Rocinha para reforçar a segurança na comunidade e apoiar a ação da Polícia Militar. Ao todo, 950 militares, além de blindados, foram deslocados para a região. Mais três batalhões do Exército, que somam quase 3.000 homens, estão prontos, caso a situação se agrave.

Segundo o secretário de Segurança, Roberto Sá, a operação "não tem hora para acabar". Ele negou que o Rio de Janeiro esteja em guerra. O Estado tem uma "situação de violência urbana difícil", avaliou Sá, destacando a topografia e a existência de facções de traficantes e milícia que disputam território com uso de armamento de guerra.

A comunidade vive hoje o sexto dia de operação policial após sofrer tentativa de invasão por traficantes rivais, no domingo (17). Nesta sexta, a Rocinha voltou a ter confrontos e ataques a policiais, o que fechou a autoestrada Lagoa-Barra e levou pânico a moradores. Ao menos uma pessoa foi baleada na comunidade.

Rommel Pinto/ Agência Estado
Apreensão de armamentos na Rocinha, zona sul do Rio, no dia seguinte ao cerco das Forças Armadas na comunidade

Após o início da disputa entre os bandos dos traficantes Nem e Rogério 157, a Rocinha tem registrado tiroteios com operações policiais diárias desde a última segunda-feira (18).

A violência atingiu nesta sexta não apenas a Rocinha, mas outras seis favelas do Rio de Janeiro. Ao menos 27 mil estudantes ficaram sem aula.

Críticas

Especialistas em segurança criticaram duramente a demora da ação das autoridades. "Só hoje [ontem, 22] foi criado um gabinete de crise", apontou a cientista social Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes.

"O cenário é de caos e desorganização", resumiu o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

. Para a coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, a socióloga Julita Lemgruber, as ações de ontem revelam "que o Rio não tem uma política de segurança e o governo federal não tem plano de segurança".

*Com informações da Agência Estado e colaboração de Marcela Lemos

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