Durante rebelião, 75 presos abrem buracos em muro e fogem de presídio no Piauí

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em São Luís

  • Sinpoljuspi/Divulgação

    Os presos fugiram através de buracos abertos em um muro do presídio

    Os presos fugiram através de buracos abertos em um muro do presídio

Setenta e cinco presos fugiram através de buracos abertos em um muro da Penitenciária Estadual Luiz Gonzaga Rebelo, em Esperantina, no norte do Piauí, durante uma rebelião ocorrida na tarde desta sexta-feira (6). A contagem dos fugitivos foi divulgada neste sábado (7).

A Sejus (Secretaria de Estado da Justiça do Piauí) informou que 25 fugitivos foram recapturados e 50 continuam foragidos. Mais de 30 agentes penitenciários e policiais militares estão nas ruas para tentar encontrar os detentos, que fugiram dos pavilhões A, B, C e D do presídio. A Polícia Civil investiga o que motivou a rebelião.

"Os presos do pavilhão C tentaram invadir o pavilhão D e começou uma briga, que ocasionou no motim e depois a rebelião em todo o presídio com todos os presos rebelados", contou o diretor financeiro do Sinpoljuspi (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí), Acássio Castro.

Os 390 homens que estavam custodiados no presídio, que tem capacidade para menos da metade [159 detentos], se rebelaram durante o plantão, quando havia apenas quatro agentes penitenciários fazendo a segurança da unidade, segundo o sindicato.

De acordo com normativa do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), a proporção segura em um presídio é de um agente penitenciário para custodiar cinco presos. A proporção no momento da rebelião era de um para 97,5.

O sistema prisional do Piauí também está superlotado, com 4.650 presos e capacidade para 2.220.

Segundo a Sejus, a penitenciária ficou bastante danificada depois da rebelião e 100 presos foram transferidos para outras unidades prisionais do Estado para impedir novas fugas.

A secretaria informou ainda que já iniciou os primeiros reparos emergenciais do prédio da penitenciária. Ainda não há orçamento definido de quanto vai custar a obra.

Fuga

Durante a rebelião, outros quatro agentes penitenciários, dentre eles o diretor e vice-diretor do presídio, chegaram ao local para ajudar a conter os rebelados.

Os presos abriram buracos no muro da unidade prisional aproveitando que agentes tentavam conter o motim nos pavilhões. Eles também tiveram acesso à parte superior do presídio, onde ficam as guaritas, e destruíram o local.

Sinpoljuspi
Durante a rebelião, os presos tiveram acesso à parte superior do presídio, onde ficam as guaritas, e destruíram o local

Inicialmente, esta reportagem informava que os presos haviam pulado o muro. A informação foi retificada pelo Sinpoljuspi e posteriormente corrigida.

O presidente do sindicato, José Roberto Pereira, reclamou da demora do reforço da Polícia Militar para conter os presos que estavam fugindo e os que brigaram dentro dos pavilhões.

"Os 390 presos tomaram toda unidade prisional, a área do térreo e a parte superior, onde existe o corredor para as guaritas. A rebelião começou às 13h, foi contida pouco tempo depois, mas voltaram a se amotinarem às 14h", relatou.

Segundo Pereira, o reforço dos batalhões especializados da PM chego apenas no final da tarde. "Depois que a polícia chegou foi que conseguiu-se a normalidade da cadeia, mas 75 presos haviam fugido", contou.

Detentos feridos

Na tentativa de impedir a fuga de mais presos, quatro detentos foram baleados por policiais militares com tiros de pistolas na região das pernas. Outros três presos dos pavilhões C e D se feriam com golpes de espeto em em uma briga durante o motim.

Até o momento, a reportagem não recebeu resposta sobre o estado de saúde deles.

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