Violência em São Paulo

Operação da Rota põe 320 homens nas ruas de SP pela 2ª vez em dois meses

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    PMs participam da solenidade do 47º aniversário da Rota

    PMs participam da solenidade do 47º aniversário da Rota

Pela segunda vez em dois meses, o comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), considerada a tropa de elite da PM (Polícia Militar), o tenente-coronel Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, fará nesta quinta-feira (19) uma operação em todas as regiões da cidade de São Paulo de uma vez só para combater o tráfico de drogas.

A primeira operação aconteceu em 23 de agosto, poucos dias depois de o comandante Mello Araújo assumir o batalhão. A operação de hoje ocorre em comemoração aos 47 anos do batalhão, completados nesta quinta. Às 8h, foi realizada uma solenidade no quartel com a presença do secretário estadual da Segurança Pública, Mágino Alves. Na sequência, teve início a operação, que deve contar com cerca de 320 dos 700 homens do batalhão. Ainda não há um balanço a respeito dela.

A Rota foi criada em 19 de outubro de 1970, em meio à ditadura militar, para coibir sobretudo roubo a bancos e ações de grupos contra o regime. Atualmente, o batalhão tem o tráfico de drogas, com apreensões de maconha e cocaína, como principal foco.

Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
A Rota foi criada em 19 de outubro de 1970, em meio à ditadura militar, para coibir sobretudo roubo a bancos e ações de movimentos sociais

Na primeira operação, 25 pessoas foram presas e três menores de idade foram apreendidos. Entre os presos, estavam quatro procurados pela Justiça. "A operação foi dentro do que a gente planejou. Até superior, pela sensação de segurança transmitida para a população, que nos aplaudiu nas ruas", afirmou ao UOL o comandante da Rota na época.

Ao desencadear a primeira operação, Mello Araújo disse à reportagem que queria sentir como a criminalidade reagiria com grande efetivo de homens da Rota nas ruas. Ao fim do dia, ele avaliou a ação como positiva. "O criminoso teme a Rota. E tem de continuar temendo", avaliou.

Entre a primeira e a segunda grande operação em São Paulo, a Rota fez outras operações de porte maior do que o comum, mas em regiões restritas da cidade, como, por exemplo, só na zona leste, zona sul ou só no ABC Paulista.

"Que eu não perca nenhum homem em combate", diz comandante

Procuradas, a Rota e a SSP (Secretaria da Segurança Pública) não se manifestaram sobre a segunda operação até a publicação desta reportagem. Na semana passada, ao programa "Brasil Urgente", da TV Bandeirantes, Mello Araújo afirmou que esta segunda ação em toda a cidade é um "presente" para a população. 

Operações dividem opiniões

A ação do dia 23 de agosto foi independente, assim como será a desta quinta-feira (19). O comandante não se comunicou com Mágino Alves, tampouco com o comandante-geral da PM, o coronel Nivaldo Restivo, ou o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Em agosto, após a operação, a pasta e a PM afirmaram ter apoiado a atitude de Mello Araújo.

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Especialistas se dividiram sobre a eficiência desse tipo de operação. "É importante mostrar a presença do Estado na rua, porque isso passa uma sensação de segurança para a população. A operação também é importante porque inibe a prática de delitos. O criminoso que saiu de casa para praticar um crime hoje pode ter visto a polícia e desistido", disse Hugo Tisaka, analista da consultoria de segurança privada NSA Brasil.

Já para Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), "esse tipo de ação mostra que voltamos ao passado em termos de segurança pública em São Paulo". Segundo ele, "no momento em que a política de segurança pública do Estado mostra claros problemas, o governo volta ao velho bordão do populismo paulistano de 'vamos colocar a rota na rua'".

A sugestão de Alcadipani é de que haja ações coordenadas da segurança com outros organismos do Estado para diminuir a criminalidade. "Ações pontuais, sem planejamento e sem uma integração com outras áreas, como assistência social, educação e saúde não vão dar certo. Isso é enxugar gelo e adotar uma ação populista que nada resolve", disse.

Rota apreende balas de fuzil

Nesta quarta (18), a Rota informou por meio de nota que, ao abordar um veículo Celta em Guarulhos (SP), encontrou 16 munições de fuzil 7.62. Segundo a nota, o motorista confessou ser um dos cinco integrantes responsáveis pelo PCC no Brasil. Ele está preso no 4º SP de Guarulhos.

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