Em meio à crise em presídio, Goiás separa secretarias da Segurança e da Administração Penitenciária

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Wildes Barbosa/Divulgação/SSPAP-GO

    Foto de divulgação mostra parte do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, em GO

    Foto de divulgação mostra parte do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, em GO

O governo de Goiás anunciou, no fim da manhã desta sexta-feira (5), que as secretarias de Segurança Pública e da Administração Penitenciária, que antes funcionavam juntas no Estado, passaram a agir de forma autônoma. A informação foi dada pelo secretário de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, e vale deste a quinta-feira (4).

A medida ocorreu em meio a uma série de rebeliões e tentativas de rebeliões no complexo penitenciário de Aparecida de Goiânia. Entre o primeiro dia do ano e a madrugada desta sexta-feira, três motins foram realizados no local, sendo os dois primeiros na ala onde ficam os condenados ao regime semiaberto e o último na ala do regime fechado. No primeiro caso, o saldo foi de nove mortes.

Segundo o secretário de segurança, a medida de separar as competências segue uma regra internacional e que tende a melhorar a ligação entre o Estado e a população carcerária. "Os ânimos de quem prende não são os mesmos de quem administra", argumentou Balestreri, explicando que o ideal é que cada agente ou policial seja sempre dedicado exclusivamente a sua função.

"É preciso que a gente comece a analisar profundamente o que acontece na crise penitenciária nacional. Estamos hoje anunciando a diretoria geral de Administração Penitenciária, com autonomia, saindo da macrosecretaria que cuida das polícias", afirmou o secretário de segurança.

Em 2017, o governo informou ter aumentado em 107% o número de agentes penitenciários no Estado. "E continua muito pouca gente. É a realidade do que aconteceu em Aparecida de Goiânia. Tínhamos anúncios de orquestrações de 20 rebeliões em Goiás e tivemos apenas em uma", relativizou Balestreri.

Arte/UOL

Quem está à frente da Administração Penitenciária do Estado desde a noite de ontem, quando a mudança ocorreu, é o coronel Edson Costa Araújo, que, em seu primeiro discurso, condenou "inversão de valores", disse que será duro com a população carcerária, mas atento e respeitando o que recomenda os direitos humanos.

"Tem muita coisa a fazer. É um momento difícil. Mas é um momento que propicia grandes realizações. O Brasil passa por essa crise, não só Goiás, mas Goiás tem expertise e vai conseguir dar o andamento necessário", disse o coronel Araújo. "Tenho o maior cuidado, maior preocupação com os direitos humanos, mas que a população carcerária será submetida à lei", complementou.

O novo diretor da pasta de Administração Penitenciária, durante sua primeira coletiva de imprensa, chegou a se dirigir diretamente aos presos, afirmando saber que eles estavam acompanhando ao vivo. A secretaria de segurança transmitiu a coletiva ao vivo em sua página no Facebook.

"Ouvi muita reclamação a respeito da alimentação. Hoje, é tudo terceirizado e vamos fiscalizar, claro. Mas não é todo tipo de população que recebe a alimentação que a população carcerária recebe aqui", afirmou, seguido de aplausos de uma plateia formada por agentes da segurança e aliados políticos.

PCC tem dois inimigos claros: CV e Estado, diz secretário

Balestreri voltou a afirmar que a crise do início do ano foi orquestrada pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele já havia informado isso em reportagem publicada pelo UOL na quinta-feira (4)

"Essas rebeliões e tentativas, no Brasil inteiro e em Goiás, são orquestradas pelo crime organizado. Tenho recebido da agência central da inteligência de Goiás, um farto material, com áudios. E estudo bastante. Estamos diante de um novo tipo de crime. Estamos falando de uma potência. Da atividade mais lucrativa do planeta, que é o crime organizado", reafirmou o secretário nesta sexta-feira.

"Há questão de dois anos, foi designado pela principal organizado do país [PCC], o Estado de Goiás, pela possibilidade de distribuição de drogas e de armas, além de sua proximidade com o Distrito Federal, com os poderes da União. Obviamente, no DF, o crime também tem grandes negócios", disse.

"Nas análises desse grupo mais poderoso do crime organizado brasileiro, eles dizem nitidamente que há dois adversários: o grupo do Rio de Janeiro [Comando Vermelho], que disputa o mercado e que deve ser combatido pagando com a vida. E o segundo adversário é o Estado, porque o Estado atrapalha os negócios", afirmou o secretário.

"Tenho muito orgulho de dizer que o Estado que mais atrapalha o crime organizado é o Estado de Goiás. Somos o Estado que mais derruba índices criminais. São 18 meses derrubando os índices. Rendo as minhas homenagens aos policiais goianos", complementou.

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