Violência em São Paulo

Vítima de estupro não reconhece PM; ele estava em Ubatuba, diz defesa

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    À esquerda, criminoso que estuprou jovem flagrado em vídeo; à direita, PM que era considerado suspeito pela Polícia Civil

    À esquerda, criminoso que estuprou jovem flagrado em vídeo; à direita, PM que era considerado suspeito pela Polícia Civil

O cabo da PM (Polícia Militar) suspeito de estuprar uma técnica em nutrição de 18 anos, no último dia 14 de janeiro, no Aricanduva, zona leste de São Paulo, teve a prisão temporária revogada depois de se apresentar à delegacia, na tarde desta segunda-feira (22), prestar depoimento e ser submetido a um exame de reconhecimento, em que ele não foi apontado pela vítima como o autor do crime.

O policial era suspeito por ter um carro da mesma marca, modelo e cor do utilizado no crime, flagrado por uma câmera de segurança. Além disso, 41 dias antes, na mesma região da capital paulista, o policial teve de assinar um termo circunstanciado por supostamente ter assediado uma estudante de 19 anos na rua.

O UOL teve acesso ao auto de reconhecimento pessoal assinado pela vítima do estupro em que ela não aponta o cabo da PM como o autor do crime. A reportagem também teve acesso à consulta parcial do "Sem parar" do carro do PM, que mostra que o veículo saiu de São Paulo, sentido litoral, por volta das 6h do dia 13, e retornou à capital por volta das 18h do dia 14. O estupro ocorreu às 7h.

A Polícia Civil entende que ele não foi o autor do estupro, flagrado por câmeras de segurança, e faz buscas para tentar localizar o criminoso. Segundo o advogado João Carlos Campanini, que acompanhou o policial no 66º DP (Distrito Policial), no Jardim Aricanduva, o cabo estava em Ubatuba, no litoral, no momento em que o estupro ocorreu.

Além disso, o advogado informou que o PM foi colocado no mesmo local do crime e na mesma posição em que o criminoso aparece nas imagens. Lá, pode-se notar que o PM é mais baixo do que o criminoso, além de ter o tom de pele mais escuro.

Na esquina em que a jovem foi arrastada pelo criminoso, é possível ver que o estuprador olha a chegada dela, em uma fresta, com grades, que tem na parede de uma casa. "Meu cliente não enxergaria pela grade sem levantar os pés", disse ao UOL.

Para Campanini, o policial "foi investigado por ter carro igual e morar na mesma rua". Pelas imagens, não é possível identificar a placa do carro utilizado no crime. Investigadores da Polícia Civil e peritos que compararam, a pedido da reportagem, na segunda-feira (22), o vídeo e a foto do PM já haviam dito que pareciam não ser a mesma pessoa.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que o 66º DP instaurou inquérito para investigar o estupro e que "mais detalhes não serão divulgados para não atrapalhar o trabalho policial, bem como para preservação da vítima de violência sexual", afirmou. O ouvidor da Polícia, Julio Cesar Neves, continua acompanhando o caso.

"Vídeo pode ter espantado o criminoso", diz mãe

A mãe da vítima lamentou ao UOL que o vídeo tenha sido amplamente divulgado no final de semana, com receio de que isso prejudique o trabalho de investigação da polícia. "Assim como a gente soube [do vídeo] e vocês [da imprensa] souberam, o bandido também soube. A polícia disse que o vídeo pode ter espantado o criminoso", afirmou.

Atenção: as imagens do crime são fortes

De acordo com a mãe, uma auxiliar de limpeza de 37 anos que não será identificada pela reportagem, a filha está "completamente abalada e se recusa a falar ou relembrar o assunto". A jovem foi submetida a exame sexológico e foi atendida pelo serviço Bem Me Quer, do hospital estadual Pérola Byington, em São Paulo.

"Ela foi bem atendida, tanto na delegacia quanto no hospital. Agora, está descansando e sob os cuidados da família. A gente fica revoltada, mas queremos Justiça. O meliante que fez isso tem que pagar de um jeito ou de outro", disse a mãe.

A vítima foi atacada por volta das 7h. O homem, que dirigia um Fiat Siena preto, desce, espera a vítima se aproximar e a puxa pelos braços. Ele obriga a mulher a entrar no banco de trás do veículo.

Dentro do carro, o criminoso manteve uma arma apontada para a vítima e a estuprou por 30 minutos, segundo a Polícia Civil. À polícia, a vítima relatou que não sabe se o criminoso usou preservativo. Enquanto a estuprava, ele impediu que ela olhasse seu rosto.

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