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Ligação com o PCC faz número de policiais civis presos em SP ser o maior em 4 anos

Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Crimes que mais levaram policiais civis de São Paulo à prisão em 2017 foram: associação ao tráfico, corrupção, organização criminosa, extorsão e embriaguez em volante Imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

06/02/2018 04h00Atualizada em 06/02/2018 14h38

O ano de 2017 registrou a prisão de 92 policiais civis no Estado de São Paulo, o maior número desde 2014. Os dados são da própria Polícia Civil e foram obtidos pelo UOL via Lei de Acesso à Informação. O crime de associação ao tráfico, que normalmente está relacionado com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), foi o que mais levou agentes para a prisão.

Nos últimos quatro anos, o número de policiais civis presos quase dobrou: passou de 51 para 92 no período, uma alta de 80%. Em 2017, os crimes que teriam sido mais praticados foram: associação ao tráfico, corrupção, organização criminosa, extorsão e embriaguez em volante.

Antes de 2017, o crime que mais levava policiais civis para a cadeia era extorsão: 8 em 2014; 22 em 2015; e 15 em 2016. No ano passado, o número de policiais suspeitos de terem praticado esse tipo de crime caiu para 7.

Segundo a Polícia Civil, não é possível medir, com precisão, o número de policiais civis presos antes de 2014. "Algumas prisões são decretadas em processos judiciais ou em investigações do Ministério Público, impossibilitando a coleta de dados de origem da prisão, para precisar a tipologia penal anterior a 2014 e o seu local de exercício de forma sistematizada", informou.

O número total de policiais civis em atividade, datado em janeiro de 2018, é de 29.853. Ou seja, os 92 presos no ano passado representam 0,3% do total da corporação.

Dos 92 policiais presos no ano passado, ao menos 39 teriam algum tipo de ligação com o crime organizado, segundo a Polícia Civil --31 responderam por associação ao tráfico de drogas, e 8, por organização criminosa.

Dos 31 suspeitos de associação ao tráfico, 30 foram detidos em novembro, numa operação do MP (Ministério Público), em São José dos Campos, a 106 km da capital, sob a suspeita de colaborar com o PCC.

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Já pelo crime de homicídio, 12 policiais civis foram presos nos últimos quatro anos: 5 em 2014, 2 em 2015, 2 em 2016 e 3 em 2017. No mesmo período, 183 pessoas foram mortas por policiais civis no Estado em supostos confrontos ocorridos durante o serviço ou em folga. No mesmo período e situação, 66 policiais civis foram mortos.

Historicamente, os policiais da capital paulista são os policiais do Estado que mais vão presos. Nos últimos quatro anos, foram 77: 20 em 2014; 28 em 2015; 11 em 2016; e 18 em 2017.

O segundo local de onde mais policiais são presos é o Deinter 1, com sede em São José dos Campos (onde houve a operação do MP que prendeu 30 ano passado), mas que cobre 39 municípios da região metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte.

No Deinter 1, foram 60 presos nos últimos quatro anos. Depois, vem a Demacro, área que abrange a região metropolitana de São Paulo, com 29 agentes.

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Os policiais civis de São Paulo, caso não sejam expulsos ou demitidos, respondem pelas práticas de crimes no presídio especial da Polícia Civil, que fica na região do Carandiru, zona norte da capital. Policiais civis e militares que são expulsos da corporação costumam ser enviados para a penitenciária de Tremembé, a 160 km da capital.

Alex Silva/Estadão Conteúdo
Entre 2015 e 2017, três policiais da Corregedoria, órgão de fiscalização, foram presos Imagem: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Secretaria diz não compactuar com "desvios de conduta"

A reportagem solicitou uma entrevista ao secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, para que ele pudesse se posicionar sobre o assunto. A SSP enviou uma nota oficial ao UOL.

No comunicado, a Secretaria diz que "não compactua com desvios de conduta de seus policiais civis e apura com rigor todas as suspeitas, promovendo a punição daqueles que cometem qualquer irregularidade, por meio da Corregedoria da Instituição".

Sobre o aumento no número de prisões, a SSP alegou como principais razões "as iniciativas da pasta" e "parcerias com o Ministério Público, como a ocorrida ano passado em São José dos Campos, quando 30 policiais civis foram presos".

A Secretaria disse ainda que como prevenção, faz uma "seleção dos candidatos na fase de concursos públicos para o ingresso na Instituição. Aos que já atuam na carreira, é feito um acompanhamento de desempenho destes agentes".