Topo

Ministério muda versão de Jungmann sobre roubo de munição usada em assassinato de Marielle

Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo
Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, voltou atrás sobre afirmação que fez Imagem: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

19/03/2018 14h27Atualizada em 19/03/2018 15h36

Três dias depois de o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública) dizer que a munição encontrada na cena dos homicídios da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes havia sido roubada na sede dos Correios na Paraíba anos atrás, a pasta mudou a versão nesta segunda-feira (19).

Em nota, o ministério da Segurança afirmou que Jungmann "não associou diretamente o episódio da Paraíba com as cápsulas encontradas no local do crime que vitimou a vereadora e seu motorista".

Segundo a mesma nota, o ministro "explicou que a presença dessas cápsulas da PF (Polícia Federal) no local pode ter origem em munição extraviada ou desviada". O texto diz ainda que, ao citar o caso da Paraíba, Jungmann estava dando um "exemplo de munição extraviada".

Ainda de acordo com o ministério, a PF instaurou o inquérito policial na delegacia de Campina Grande (PB) para apurar um arrombamento a uma agência dos Correios de Serra Branca (PB) em 24 de julho de 2017.

"O arrombamento foi seguido de explosão do cofre de onde foram subtraídos objetos e valores. Na cena do crime, a PF encontrou cápsulas de munições diversas, dentre elas do lote ora investigado", informou o ministério.

Leo Correa/AP Photo
Perícia apreendeu no local do crime munições do mesmo lote de balas utilizadas em SP Imagem: Leo Correa/AP Photo

Em entrevista coletiva na sexta-feira (16), Jungmann afirmou: "Essa munição foi roubada na sede dos Correios, pela informação que eu tenho, anos atrás, na Paraíba."

No dia seguinte, os Correios já haviam negado, também por meio de nota oficial, haver registro de desvio de carga pertencente à Polícia Federal "no passado recente".

"A empresa não aceita postagem de remessas contendo armas ou munição, exceto quando autorizado por legislação específica. Neste caso, o tráfego, via Correios, de produtos controlados pelo Exército, submete-se às disposições estabelecidas", esclareceu o órgão.

Foram encontradas ao lado dos corpos de Marielle e Anderson munições calibre 9mm. Segundo informações da TV Globo, o lote das munições é o UZZ-18, extraviado da Polícia Federal. Segundo o UOL apurou, munições do mesmo lote foram encontradas na maior chacina de São Paulo, em agosto de 2015, quando 23 pessoas morreram a tiros.

Em nota, a PF informou que, além da investigação conduzida pela Polícia Civil pelo crime de homicídio, foi instaurado inquérito no âmbito da PF para apurar a origem das munições e as circunstâncias envolvendo as cápsulas encontradas no local do crime.

Reprodução
Imagem: Reprodução

Pistas sobre o assassinato

O Disque Denúncia informa que já recebeu 27 denúncias sobre o caso e encaminhou tudo para a polícia. O anonimato é garantido. Quem tiver qualquer informação a respeito da identificação e localização dos assassinos, pode usar os seguintes canais para denunciar:

  • Whatsapp ou Telegram: (21) 98849-6099
  • Central de Atendimento do Disque Denúncia: (21) 2253-1177