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Atos no Rio e em outras cidades reúnem milhares de pessoas contra a morte de Marielle e motorista

Do UOL, em São Paulo*

15/03/2018 20h12Atualizada em 16/03/2018 08h53

Milhares de pessoas se reuniram na noite desta quinta-feira (15) na Cinelândia, centro do Rio, para protestar contra a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), 38, e do motorista Anderson Pedro Gomes, de 39. Eles foram assassinatos a tiros na noite de quarta (14).

O ato teve início ainda no começo da tarde, em frente à Câmara dos Vereadores, onde os corpos de Marielle e Anderson foram velados. Quando os caixões deixaram a Casa, a vigília seguiu em direção à Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), onde houve uma série de discursos em homenagem à vereadora e contra a violência no Estado.

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No início da noite, a marcha voltou para a Câmara e depois seguiu até a Cinelândia. A avenida Rio Branco ficou totalmente interditada. Não há estimativa de público da PM (Polícia Militar) nem de organizadores, porém a extensão da avenida ficou tomada de manifestantes. O ato dispersou pouco depois das 22h.

Praticamente não se viram bandeiras de partidos políticos. Também não havia policiais militares próximos ao movimento. O público entoou palavras de homenagem à vereadora, como "Marielle, presente", e de ordem, como "não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar" e "justiça, justiça".

O pedido de dias melhores, aliás, não foi o único, já que a manifestação reuniu bandeiras contra a homofobia, a violência contra as minorias e até pela saída do presidente Michel Temer (MDB).

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O prédio da Câmara dos vereadores foi pichado com palavras de ordem, e a escadaria do edifício virou palco para discursos e projeções com o rosto de Marielle.

"Essa noite tem semelhanças com o movimento de junho de 2013, são dois momentos de mobilização espontânea de causas que nos unem", disse a professora Samanta Pereira, referindo-se aos protestos que começaram em capitais há cinco anos pelo aumento das tarifas de transporte público e que se tornaram bandeiras contra políticos e partidos.

"Estou aqui como 'homem branco' para apoiar esse grito. Deu muito medo esse episódio, medo de perder o direito de ir e vir", afirmou Eduardo da Cunha, 40, engenheiro.

O estudante Brayan Mello, 23, criticou a violência de autoridades. "Precisamos de uma força de segurança que não sirva só para massacrar preto e pobre".

O ato no Rio fez parte de uma série de manifestações marcadas por movimentos sociais e por grupos ligados ao PSOL após a morte de Marielle e Anderson. Ao menos 19 capitais tiveram manifestações nesta quinta: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador, São Paulo, Teresina e Vitória. Cidades estrangeiras como Nova York (Estados Unidos) e Montevidéu (Uruguai) também realizaram protestos contra o crime de quarta-feira.

São Paulo

Em São Paulo, milhares de manifestantes foram ao vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para protestar contra os assassinatos. "Marielle, presente!", gritam os manifestantes.

Estavam presentes militantes do PSOL, com bandeiras que representam o feminismo, coletivos feministas, integrantes do sindicato dos professores do Estado, a Apeoesp, entre outros apoiadores. Policiais militares acompanham o ato a distância.

Por volta das 19h30, os dois lados da avenida estavam interditados na altura do Museu. O ato seguiu em direção à rua da Consolação e desceu até a praça Roosevelt, no centro.

"Este ato é para mostrar que não vamos desistir da luta de Marielle. Não vão calar a nossa voz. A luta da Marielle se faz presente", disse um dos manifestantes, no microfone.

A manifestação alternava momentos de silêncio com gritos por Marielle e contra a polícia militar.

Salvador

Em Salvador, cerca de 2.000 pessoas entre estudantes, professores, representantes partidários ligados à esquerda e participantes do Fórum Social Mundial realizaram na manhã desta quinta-feira um ato de protesto na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com gritos contra a intervenção federal e pela luta dos negros no Brasil, os manifestantes seguiram pelas ruas com cartazes e faixas.

A representante da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa (Amped) Maria Luiza Süsssekind disse que "é triste ver como se matam pessoas". "Precisam investigar o que aconteceu com clareza. Estamos aqui por Marielle e pelo motorista." O professor da UFBA Francisco Pereira destacou a importância de se esclarecer o crime.

"Não se pode sair matando pessoas que lutam pelas causas justas. Que tem coragem de expor o lado em que estão." Os organizadores do ato são representantes do grupo Povo Sem Medo, que surgiu em 2016.

"Que fique claro que não estamos aqui somente por Marielle, mas pelos negros lutadores e batalhadores, pelas perdas dos trabalhadores neste regime, pelo motorista também assassinado e contra essa farsa da intervenção no Rio de Janeiro", afirmou Vitor Aicau, membro do movimento Povo sem Medo. Também participaram da passeata a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o vereador de Salvador Hilton Coelho (PSOL).

Ato em Curitiba contra a morte de Marielle e Anderson - Reinaldo Reginato/Estadão Conteúdo
Ato em Curitiba contra a morte de Marielle e Anderson
Imagem: Reinaldo Reginato/Estadão Conteúdo

Outras cidades

Além de fazer uma homenagem a Marielle, os protestos defenderam o fim da violência contra negros, mulheres e moradores das periferias.

No Recife, manifestantes fizeram um ato ecumênico, em frente à Câmara de Vereadores da capital pernambucana. Entre os cartazes, se repetia a frase "Marielle presente" e "Sobreviver é a nossa maior resistência".

Por volta de 20h, manifestantes de Curitiba organizaram uma vigília no centro da cidade. Nas escadarias da UFPR (Universidade Federal do Paraná), foram colocadas velas e flores.

* Com reportagem de Léo Burlá e informações da Estadão Conteúdo

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