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Motorista de ônibus é agredida por perueiro em SP após atraso de 10 min

Após agressão, condutora registrou boletim de ocorrência na delegacia em Sumaré - Reprodução
Após agressão, condutora registrou boletim de ocorrência na delegacia em Sumaré Imagem: Reprodução

Rafael Pezzo

Colaboração para o UOL

08/06/2018 13h39

Uma motorista de ônibus de 46 anos foi agredida, na noite desta quarta-feira (6), por um condutor de van, em Sumaré, cidade a cerca de 120 km ao noroeste de São Paulo. O ataque aconteceu por volta das 19h. Josiana Raimundo se atrasou por cerca de dez minutos para chegar ao ponto final, atrapalhando a saída do perueiro João Paulo Della Colleta, acusado de ter ferido a mulher com a fivela de um cinto.

“Meu horário é 18h50, mas eu cheguei 19h. Eu atrasei porque peguei um cadeirante e, na hora de descer, o elevador emperrou”, contou a motorista ao UOL. “Quando estacionei, ele logo entrou no ônibus e começou a me xingar de todos os nomes possíveis. Depois, desceu, veio até minha janela e me acertou com a fivela do meu cinto de segurança.”

Atingida na testa, Josiana sofreu um sangramento e foi para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Macarenko. Ela não chegou receber pontos, mas o local segue inchado. Na manhã de quinta-feira (7), a condutora registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher, no bairro Vila Miranda. O caso foi enquadrado como difamação e lesão corporal.

A motorista trabalha na linha 155 (Terminal Rodoviário/Jardim Maria Antônia), pela Viação Ouro Verde. Alternadamente, o trajeto é feito entre ônibus e vans e, segundo ela, qualquer atraso é motivo para discussões e até agressões entre os condutores.

“Eu não sou a primeira, outros motoristas reclamam dos perueiros. Condutores e fiscais já foram agredidos por eles antes. Tudo por conta de horário”, relata. “Se você chega cinco minutos atrasado, os motoristas de vans não deixam o ônibus sair.” Outros funcionários da Ouro Verde ouvidos pelo UOL descreveram a mesma situação, de ofensas e agressões físicas por parte dos perueiros.

Em reunião nesta quinta, o Sindicato dos Condutores de Americana e Região requisitou um encontro com o prefeito de Sumaré, comandantes da guarda municipal e da Polícia Civil e autoridades de mobilidade urbana e rural para “para discutir compromissos que garantam a segurança dos trabalhadores da Viação Ouro Verde”.

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Paulo Sérgio da Silva, presidente do sindicato, gravou um vídeo que foi repassado por WhatsApp entre os motoristas, na qual propunha uma greve nesta sexta-feira (8) em protesto à agressão sofrida por Josiana. A operação das linhas municipais, no entanto, não foi mudada e segue normal nesta data.

Eduardo Romiti, diretor da Coopersum (Cooperativa de Perueiros de Sumaré) admitiu que há rivalidade entre motoristas de ônibus e vans, mas que este episódio foi o mais grave que já teve conhecimento. “Trabalho com perueiros há 25 anos e nunca tinha visto algo parecido. Foi uma atitude infeliz do rapaz, que irá sofrer as sanções cabíveis, e as piores possíveis, porque é inadmissível o que ele fez”, afirmou Romiti ao UOL.

Para o diretor, a concorrência entre as duas categorias existe desde o princípio do movimento dos perueiros, mas que nunca houve casos de agressão. “Os empresários não aceitam que podem perder para um cidadão comum que decidiu sair da companhia de ônibus e virar motorista de van. Isso cria disputa por passageiros, há desentendimentos, mas coisas do dia a dia. Nunca vimos agressões, nem compactuamos com esse tipo de atitude”, explicou.

A Coopersum representa os motoristas de vans que, a partir de 2011, receberam permissões da prefeitura para atuarem em linhas de transporte municipal. Segundo o gabinete, inicialmente, 29 condutores obtiveram autorizações, mas somente 13 estão autorizados a operar as linhas atualmente. Entre os motivos para a cassação das licenças estão ausências por dias seguidos e desrespeitos a itinerários e horários.

Ao UOL, a Prefeitura de Sumaré informou que o João Paulo Della Colleta foi excluído do sistema dos permissionários e não voltará a exercer a função. Além disso, a linha que ele operava ficará desativada aos perueiros por 15 dias.

A reportagem tentou entrar em contato com Paulo Sergio da Silva, presidente do Sindicato dos Condutores de Americana e Região, mas não obteve resposta até a publicação da nota.

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