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O que se sabe até agora sobre o caso Vitória Gabrielly

Menina Vitória Gabrielly, de 12 anos, foi encontrada morta em Araçariguama (SP). Polícia ainda investiga as motivações do crime - Reprodução
Menina Vitória Gabrielly, de 12 anos, foi encontrada morta em Araçariguama (SP). Polícia ainda investiga as motivações do crime Imagem: Reprodução

Fabiana Marchezi

Colaboração para o UOL

22/06/2018 17h36

A morte de Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos, na pequena cidade de Araçariguama, no interior de São Paulo, chocou o país e continua gerando muita expectativa em torno da motivação do crime. A menina foi encontrada morta na tarde do último sábado (16), depois de ficar desaparecida por oito dias, ao sair de casa para andar de patins. As buscas por Vitória mobilizaram moradores e equipes de segurança de toda a região.

Veja abaixo o que se sabe até agora sobre o caso:

Como o corpo foi encontrado

Segundo a Polícia Militar, o corpo foi localizado ao lado dos patins, em um matagal, numa estrada de terra, no bairro Caxambu, por volta das 13h do último sábado (16), após uma denúncia ao 190. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o boletim de ocorrência explica que um homem que coletava objetos recicláveis avistou o corpo da estudante na mata e chamou a PM. O corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição, com a mesma roupa que ela usava quando foi vista pela última vez. Chinelos, meias, dois pedaços de cadarços e um elástico de cabelo também foram encontrados no local. Todos os objetos foram apreendidos e periciados. O local também passou por perícia.

Causas da morte

Os laudos preliminares da necropsia feita pelo Instituto Médico Legal de Sorocaba mostram que ela morreu asfixiada por esganadura e não sofreu violência sexual. O cadarço dos patins foram usados para amarrar braços e pernas da menina. "Pelo estado de decomposição do corpo, é possível que ela tenha sido morta no mesmo dia em que foi levada. Porém o laudo final ficará pronto em até 30 dias", disse o advogado da família, Roberto Guastelli.

Sigilo das investigações

O caso está em segredo de Justiça desde sexta-feira (15), um dia antes de o corpo da menina ser encontrado. O sigilo foi decretado juntamente com a prisão temporária do servente de pedreiro Julio Cesar Lima Ergesse, de 24 anos, que diz ter estado em um carro com a menina no dia do sumiço. Ele virou suspeito após apresentar várias versões diferentes sobre o caso. As duas medidas foram tomadas para que as investigações não sejam afetadas.

Como a polícia chegou até o suspeito preso

Os investigadores chegaram até Ergesse após uma denúncia. O homem teria relatado a um conhecido que esteve em um carro com a menina. Esse conhecido, que não teve a identidade divulgada, foi até a polícia para denunciá-lo. O servente foi então chamado para depor como testemunha, mas acabou virando suspeito após confirmar à polícia que esteve com Vitória no dia em que ela sumiu e apresentar várias versões contraditórias sobre sua participação nos eventos. Na principal delas, ele diz que pegou carona no carro de um casal que levava a vítima.

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Quem é o suspeito 

Na última terça-feira (19), Ergesse teve o pedido de prisão temporária prorrogado por 30 dias. O investigado é de Mairinque, município que fica a 20 quilômetros de Araçariguama. Ele trabalha como servente de pedreiro e disse à polícia que é usuário de drogas. Nesta quinta-feira (21), ele foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Sorocaba, onde foram coletadas amostras de sangue e saliva. O material será utilizado pela perícia para comparar com marcas colhidas nas roupas, cadarços e patins da menina.

Vitória Gabrielly com o pai, em foto tirada em 2014 - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Vitória Gabrielly com o pai, em foto tirada em 2014
Imagem: Reprodução/Facebook

Envolvimento do casal

O casal citado pelo suspeito também é alvo das investigações e já foi ouvido. A polícia já fez uma acareação entre Ergesse e a dupla acusada, mas a versão dele não se sustenta. Na última terça-feira (19), os dois outros investigados estiveram no Instituto Médico Legal de Sorocaba para coletar material genético para perícia.

O veículo que supostamente teria sido usado no crime já foi apreendido e passou por perícia, que não encontrou nenhum rastro da menina. O casal nega qualquer participação no caso e a defesa alega que Ergesse tem problemas mentais. O advogado dos dois diz que solicitou exames de sanidade à polícia, que não confirma essa informação.

Sobre os pais e envolvimento da família

O pai da menina, Luiz Alberto Vaz, e a mãe, Rosana Guimarães, são separados e estão muito abalados. O pai não descarta a hipótese de a garota ter sido levada por alguém próximo da família. A mãe acredita que ela pode ter sido levada por engano. A polícia também investiga as duas possibilidades, além de apurar várias outras. Em entrevista à Folha, Rosana lamentou a desconfiança em torno da família. Ela disse que como a polícia ainda não tem uma resposta, as pessoas ficam buscando culpados e acabam desconfiando até da própria família.

Carros periciados

Ao longo da investigação, ao menos três carros já foram periciados pela Polícia Civil. Além do veículo do casal, outros dois foram verificados. O primeiro teria sido indicado por testemunhas, que dizem ter visto quando a menina chegou no ginásio e foi abordada por um homem que estava em um carro preto. O motorista também foi ouvido e liberado, sem indícios de que Vitória tenha entrado. O último apareceu em imagens de uma câmera em um horário que coincide com o do desaparecimento de Vitória. O veículo passou por perícia nesta quinta-feira (21) pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa.

Celulares apreendidos e trote

Na última quarta-feira (20), a polícia apreendeu os celulares dos pais da menina e de outras testemunhas. Os aparelhos foram encaminhados para perícia.

Conversas encontradas no aparelho da mãe da menina, Rosana Guimarães, mostram que ela estava recebendo ameaças desde quando Vitória sumiu, segundo o advogado da família Roberto Guastelli. A delegada Bruna Madureira confirmou ao UOL que a polícia já rastreou as mensagens enviadas a Rosana, identificou o responsável e descobriu que era um trote de alguém que já é conhecido da polícia por sempre agir dessa maneira em casos de grande repercussão.

Em uma das mensagens, Rosana escreve ao desconhecido: "Te agradeço pelo corpo da minha filha, agora ela mora no céu, um lugar onde você nunca saberá como será". A outra pessoa responde "Você acha que brincou, brincou com a pessoa errada. Vou acabar com você. Não tenho medo da polícia. Estava aí no velório. Ainda não sabe quem sou".

Em um outro trecho, a pessoa chega a ameaçar a outra filha de Rosana e escreve mais sobre Vitória: "Você sabe que eu matei ela. Eu te falei e cumpri".


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