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Cotidiano

Criança morre por desidratação após levar mais de 30 agulhadas em hospital

Rafael Pezzo

Colaboração para o UOL

25/07/2018 17h43Atualizada em 25/07/2018 20h36

A Polícia Civil do Pará abriu inquérito para apurar as causas da morte de A.S.N., de um ano e oito meses, na madrugada do último sábado (21), que teve o corpo perfurado por agulha mais de 30 vezes por uma técnica de enfermagem na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Breves, a 220 km de Belém.

Ao UOL, a polícia informou a criança chegou à UPA às 19h30 da última sexta (20), apresentando vômito e diarreia, mas só foi atendida às 22h. As investigações mostraram que as picadas de agulha foram feitas quando a profissional tentava atingir alguma veia para aplicar a medicação. A necropsia feita antes do enterro atestou que a morte ocorreu por choque hipoglicêmico decorrente de desidratação.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram as marcas deixadas pela agulha. Segundo o delegado Edson Azevedo, responsável pelo caso, as fotos são do corpo da criança.

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Na denúncia, a mãe, Andreia Lima Soares, de 32 anos, alegou que houve negligência e que os funcionários do hospital não trataram o quadro como emergencial. 

A polícia já colheu depoimentos do médico de plantão na noite da morte, de agentes de saúde e de testemunhas e está analisando prontuários médicos, documentos e imagens das câmeras da UPA.

Em nota, a prefeitura de Breves informou que a Secretaria Municipal de Saúde "abriu sindicância para apurar os fatos ocorridos e vem colaborando ativamente com a polícia nas investigações" e "se colocando, assim, à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento".

Agulhadas

Ao UOL, o neurologista Bruno Funchal, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, afirmou que "as picadas em si não devem ter agravado o quadro da criança". "No entanto, ela pode ter piorado por não ter recebido corretamente a medicação adequada", completou.

Funchal também explicou que o número excessivo de picadas "não é normal, mas às vezes acontece". "Mas há maneiras de evitar uma situação como essa. Além de melhor capacitação dos agentes de saúde, também existem aparelhos que ajudam na localização das veias nesses casos, como instrumentos de ultrassom", explica Funchal.

O médico, no entanto, ressalta que esses aparelhos nem sempre estão disponíveis em UPAs, que são locais de atendimento rápido, sendo mais comuns em hospitais, de tratamento de referência.

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