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Ainda não há prazo para recuperação de viaduto da marginal Pinheiros, diz secretário

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

21/11/2018 07h54Atualizada em 21/11/2018 12h49

O secretário de Mobilidade e Transporte da cidade de São Paulo, João Octaviano Machado, afirmou na manhã desta quarta-feira (21) que a prefeitura ainda não tem um prazo para encontrar a solução técnica para recuperar o trecho do viaduto que cedeu na madrugada do dia 15 de novembro e obrigou a interdição por tempo indeterminado de cerca de 10 km da pista expressa da marginal Pinheiros, na zona oeste.

"Os técnicos ainda estão trabalhando no local. Ainda não posso dizer nada sobre prazo. Estou aguardando as informações. Neste momento, estamos trabalhando com desvios operacionais para tentar minimizar ao máximo a perda deste trecho", afirmou Machado ao UOL.

O secretário trabalha desde o começo da manhã na central de operações da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) para acompanhar o trânsito e o transporte público no retorno da cidade a um dia útil após os feriados prolongados da Proclamação da República e da Consciência Negra. O prefeito Bruno Covas (PSDB) também foi ao local.

O prefeito também afirmou que ainda não há prazo para a recuperação do trecho do viaduto. "Ainda não há nenhuma novidade em relação a prazos e qual remediação será feita para que possamos devolver o viaduto à população."

O viaduto, que cedeu cerca de 2 metros, tem mais de 500 m de extensão, e 200 m dele foram afetados pelo colapso parcial. Fica junto ao parque Villa-Lobos, a cerca de 500 m da ponte do Jaguaré, na zona oeste da capital paulista, e é rota de acesso à rodovia Castelo Branco (SP-280), principal ligação da Grande São Paulo com o interior paulista, e à marginal Tietê.

Inaugurado há 40 anos, em outubro de 1978, com a promessa de encurtar a distância de motoristas entre as marginais e eliminar gargalo de congestionamentos, o viaduto feito de concreto protendido (com resistência adicional em relação ao concreto comum), dispõe de cinco faixas de tráfego e, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), 1.500 veículos circulavam em cada uma delas por hora.

Após o acidente, 20 km da pista expressa da marginal Pinheiros chegaram a ser interditados. Desde segunda-feira (19), o bloqueio da via expressa caiu para 10 km, entre a ponte Eusébio Matoso e o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, nas cercanias do local do acidente. Não há previsão para o fim dessa interdição.

Escoras e estacas sob o viaduto

No viaduto que cedeu, obras emergenciais estão sendo realizadas 24 horas por dia, mesmo sob chuva. Dos 200 m afetados pelo colapso parcial, 120 m receberam o reforço de escoras de estruturas metálicas para minimizar o risco de colapso total.

"Pela conversa que tivemos com o secretário Vitor Aly [Infraestrutura e Obras], com o trabalho de escoramento completado, os técnicos da prefeitura vão começar a avaliar os danos estruturais neste tabuleiro do viaduto que cedeu para decidir qual ação de engenharia vai conseguir recuperar o trecho o mais breve possível. Eu acredito que o secretário poderá nos próximos dias informar o que será feito", afirmou Machado.

Dez estacas, de tamanhos diferentes, estão sendo cravadas no solo, a profundidades variadas (até tocarem terreno impenetrável e nele se apoiarem) para dar sustentação extra à estrutura.

Em seguida, sobre uma base colocada embaixo do vão do viaduto afetado, se colocará um macaco hidráulico para suspender a estrutura, retirando o peso do pilar afetado, e tornando possível avaliar o grau de comprometimento do conjunto.

Só aí, então, mediante medições, se decidirá pela recuperação ou mesmo demolição do trecho.

Tráfego por trechos de 5 km contra efeito "funil"

As autoridades responsáveis pelos transportes em São Paulo lançaram medidas de emergência para mitigar o impacto da perda de parte estratégica da marginal Pinheiros.

Duas das medidas emergenciais incluem o retorno do trânsito de veículos pela via expressa da marginal em dois trechos descontínuos com cerca de 5 km. O objetivo é evitar o efeito "funil" nas saídas, gerando longas filas de veículos.

Trecho 1: da ponte João Dias, na zona sul, até a ponte Octavio Frias de Oliveira (Estaiada), no sentido Castelo Branco.

Trecho 2: Da ponte Estaiada até a ponte Eusébio Matoso, no sentido Castelo Branco. Nesse ponto, os veículos são levados definitivamente para a pista local, pois a partir dali o bloqueio da pista expressa é total.

A prefeitura promete a criação de novos desvios (no mínimo, três) para os veículos ao longo dos trechos liberados da via expressa. Por seu caráter expresso, de fluxo veloz, a via possui poucas saídas.

Segundo os técnicos, serão acessos com mais de uma faixa, desenho geométrico e nivelação do solo adequados e asfaltados, de modo a preservar a segurança dos motoristas. A expectativa é de que novos acessos estejam disponíveis em uma semana.

Técnicos da Prefeitura de São Paulo e da CET avisam que novas medidas poderão rever ou mesmo ampliar as já adotadas, segundo um monitoramento atento e dinâmico do trânsito na cidade de São Paulo. 

Escolha rotas alternativas

A CET divulgou uma série de rotas alternativas para o motorista evitar a região da marginal interditada (clique aqui e confira o mapa das rotas).

- Dentro da cidade: utilizar as avenidas Brigadeiro Faria Lima, Pedroso de Morais, Prof. Fonseca Rodrigues e Dr. Gastão Vidigal, onde o motorista pode optar por seguir em frente para a marginal Tietê, sentido rodovia Ayrton Senna, ou pegar acesso em direção à ponte dos Remédios.

- Chegada à cidade: quem chegar pelas rodovias Anchieta, Imigrantes, Régis Bittencourt e Raposo Tavares deve utilizar o Rodoanel e a rodovia Castello Branco.

- Quem vem da zona sul: quem for no sentido centro deve pegar as avenidas Interlagos, Washington Luís, Moreira Guimarães, Rubem Berta, 23 de Maio e passar pelo túnel Anhangabaú. Para o sentido Santo Amaro, as avenidas Senador Teotônio Vilela, Atlântica, passando pelo Largo do Socorro e chegando à avenida Washington Luís. 

"Novo cálculo da rota"

Autoridades da prefeitura estimam que o trânsito vá se "acomodar" em duas ou três semanas, auxiliado em grande medida pelo uso de aplicativos de rotas de trânsito, como o Waze e o Google Maps.

Desde setembro de 2017, a prefeitura paulistana e o Waze firmaram parceria e compartilham dados em tempo real da movimentação pelas vias, favorecendo intervenções mais rápidas e correções oportunas.

Conforme dados do Waze, que pertence ao Google, são 4,4 milhões de usuários ativos do aplicativo na Grande São Paulo, o número mais expressivo da empresa entre todas as regiões metropolitanas no mundo.

A frota total (carros, caminhões, ônibus, motos etc.) registrada na capital paulista vem crescendo ano a ano e é de 8,76 milhões de veículos, conforme dados de julho deste ano do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo).

Veja como o viaduto está sendo escorado

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