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Para Braga Netto, intervenção no Rio evitou "achismo" no caso Marielle

Divulgação/PSOL
Marielle Franco em comício durante as eleições de 2016 Imagem: Divulgação/PSOL

Hanrrikson de Andrade e Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

2019-01-11T13:22:59

11/01/2019 13h22

Interventor federal no Rio de Janeiro, o general do Exército Walter Braga Netto declarou nesta sexta-feira (11) que os militares evitaram "protagonismo" ao não apontarem indiscriminadamente culpados pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, vítimas de uma emboscada em março de 2018, na região central do Rio de Janeiro.

O oficial da ativa, que deve deixar a capital fluminense para assumir outro posto de comando no país, participou nesta manhã da passagem de comando do Exército, em Brasília. A cerimônia contou com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). O novo chefe da força é o general Edson Leal Pujol, que substituiu o também general Eduardo Villas Bôas.

"A gente poderia ter anunciado quem a gente acha que foi", comentou Braga Netto. "Mas não queríamos o protagonismo. (...) Se [o novo governo, de Wilson Witzel, do PSC] mantiver as equipes [de investigação do caso Marielle], a gente vai chegar lá."

A ausência de respostas no caso do assassinato da vereadora do PSOL foi um dos fatos negativos que marcaram o período da intervenção federal na segurança pública fluminense, decretada em fevereiro do ano passado. A todo momento, setores da sociedade se manifestavam (e ainda se manifestam) com a pergunta: "Quem matou Marielle?".

Oficialmente, a intervenção foi encerrada em 31 de dezembro de 2018, mas ainda está em curso a transição da gestão da segurança para o novo Executivo fluminense, eleito em outubro último.

"Eu continuo interventor. Também achava que terminaria dia 31, mas não terminou. Agora tem que fazer toda a gestão do legado. E, dentro dessa gestão, eu não mais comando as forças de segurança. Eu tenho que fazer todo aquele processo para não ter problema de entrega, fiscal de contrato e tudo mais."

Braga Netto explicou que segue na condição de interventor "apenas para publicar atos oficiais".

O militar disse ainda que, com o fim da missão no Rio, passou a receber convites para assumir cargos públicos. No entanto, diz ter negado todos e que não tem pretensão de fazer parte da equipe de Bolsonaro.

"Já recebi inclusive convites, mas recusei. Sou um militar da ativa e membro do Alto Comando. Em fevereiro, na próxima reunião, devem definir a minha nova função. E eu devo sair do Rio de Janeiro."

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