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Homem preso no Rio é suspeito de participar do assassinato de Marielle

Vereadora do PSOL, Marielle Franco foi assassinada no Rio em março - Márcia Foletto/Agência O Globo
Vereadora do PSOL, Marielle Franco foi assassinada no Rio em março Imagem: Márcia Foletto/Agência O Globo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

18/12/2018 10h33Atualizada em 12/03/2019 15h19

A Polícia Civil do Rio prendeu, na manhã desta terça-feira (18), em Guapimirim (Baixada Fluminense), um homem suspeito de ser um miliciano. Segundo informações inicialmente passadas pela 82ª DP (Maricá), ele é suspeito de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista dela Anderson Gomes. Em nota, porém, a polícia disse que a prisão não está relacionada ao caso.

Um policial ligado à investigação afirmou que uma hipótese explorada pela polícia é que o suspeito tenha dirigido um dos carros usados na emboscada que vitimou a vereadora e seu motorista.

Em nota, a Polícia Civil informou que o nome do preso é Renato Nascimento dos Santos, conhecido como Renatinho Problema. "A prisão deveu-se a um mandado pendente em investigação de homicídio conduzida pela Delegacia de Homicídios da capital, para onde será levado para prestar depoimento. O mandado não é referente ao inquérito do caso Marielle e Anderson", diz a nota.

Renato Nascimento dos Santos é investigado por ligação com assassinato de vereadora - Band News FM
Renato Nascimento dos Santos é investigado por ligação com assassinato de vereadora
Imagem: Band News FM

Contra Renatinho Problema, há dois mandados de prisão preventiva (sem prazo): um por homicídio e outro por associação criminosa expedidos em junho de 2016 e em julho deste ano, respectivamente. O suspeito negou envolvimento com o crime organizado.

Segundo o UOL apurou com uma fonte da Delegacia de Homicídios, Renatinho Problema é suspeito de participação na morte de Marielle, mas não está claro o papel dele no crime.

"O caso é sigiloso. Posso dizer que ele [Renatinho Problema] é um dos líderes da quadrilha de Orlando Curicica, [suspeito de ordenar a morte de Marielle]. A Delegacia de Homicídios vai investigar essa ligação", disse a delegada Carla Tavares, da 82º DP.

"Ele diz que não é miliciano, que não pertence a nenhuma quadrilha. A única coisa que ele diz é que ele era motorista do Orlando [Curicica]", disse a delegada.

Em junho, uma testemunha revelou na Delegacia de Homicídios que Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curicica, seria um dos mandantes da morte de Marielle. Ex-PM, ele nega as acusações.

Hoje, Curicia está detido em um presídio de segurança máxima por suspeita de envolvimento em outro homicídio. Segundo a polícia, ele é considerado líder de uma das milícias mais fortes do Rio.

Segundo a delegada Carla Tavares, Renatinho Problema disse que se mudou para Guapimirim depois que Orlando Curicica foi preso. Ele foi encontrado dormindo com a namorada de 17 anos em uma casa que nega ser sua residência.

De acordo ainda com a delegada, ele não soube explicar a origem das armas encontradas. Na ação também foi preso o ex-PM Bruno Nascimento de Oliveira, 39, por porte ilegal de arma. 

Em julho, um outro ex-PM e um ex-bombeiro, que também são suspeitos de participação na morte de Marielle, foram presos por outro crime. Os dois também são suspeitos de integrar o grupo de Curicica.

Operações na semana passada

Na semana passada, as investigações sobre as duas mortes, ocorridas em 14 de março deste ano, tiveram novos desdobramentos.

Na quinta-feira (13), a Polícia Civil do Rio cumpriu 15 mandados de prisão, busca e intimação em Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Petrópolis e Juiz de Fora (MG). Na ocasião, a polícia alegou sigilo das investigações e não informou o total de detidos.

No dia seguinte, os alvos de busca e apreensão foram a casa e o gabinete do vereador Marcelo Siciliano (PHS). O político disse ser inocente e pediu que a investigação seja transferida para órgãos federais, como a Polícia Federal.

Também na sexta-feira (14), foi publicada entrevista com o secretário de Segurança do Rio, general Richard Nunes, na qual ele afirmou que Marielle foi assassinada porque interferiu em interesses de milicianos sobre loteamento de terras em regiões periféricas da capital fluminense.

Errata: o texto foi atualizado
Inicialmente, a Polícia Civil informou que Renato Nascimento dos Santos, conhecido como Renatinho Problema, era ex-policial militar. A informação foi corrigida posteriormente.

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