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"Estão me matando junto", diz vereador investigado por morte de Marielle

O vereador Marcelo Siciliano Câmara Municipal - Fabiano Rocha/Agência O Globo
O vereador Marcelo Siciliano Câmara Municipal Imagem: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

15/12/2018 10h39

O vereador Marcello Siciliano (PHS), do Rio de Janeiro (RJ), voltou a negar envolvimento com o assassinato da também vereadora Marielle Franco (PSOL), ocorrido em 14 de março deste ano. 

Siciliano concedeu entrevista a jornalistas na manhã deste sábado (15), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, um dia após a polícia cumprir mandados de busca e apreensão na sua casa e no seu gabinete. 

O vereador pediu que a investigação seja federalizada, ou seja, transferida dos órgãos locais para os federais, como a Polícia Federal. 

"Imploro pela federalização desse caso. Mataram uma vereadora e estão me matando junto. Estão querendo matar um vereador com o mesmo tiro que matou Marielle e Anderson. Estão querendo me matar", declarou. 

O motorista Anderson Gomes foi morto junto com Marielle. 

Siciliano também afirmou que não teve acesso ao inquérito e autos judiciais do caso. 

"Não deram acesso aos autos na Justiça. Argumentaram que eu era testemunha do processo no caso Marielle", disse.

Ele voltou a questionar a veracidade do relato da testemunha que o apontou como mandante dos homicídios. 

"Criaram uma história contra mim que não prosperou. O que levou a essa denúncia? Cadê essa história mal contada?", questionou. "Pegaram meu computador, meu telefone, pegaram tudo. Dei tudo porque não devo nada", afirmou.

Em maio, Siciliano foi citado por uma testemunha durante depoimento para a Polícia Civil e a Polícia Federal --um ex-miliciano delatou que Siciliano, junto do ex-policial militar Orlando de Araújo, o Orlando Curicica, planejou a morte de Marielle. O suposto motivo seria o avanço da atuação política da vereadora em áreas comandadas por milicianos, na zona oeste do Rio. À época, Siciliano e Curicica negaram envolvimento.

Intervenção sob "muita pressão"

O vereador diz acreditar que a intervenção federal do Rio está sob pressão para resolver os assassinatos.

"A intervenção está chegando ao fim, está tendo muita pressão [para a resolução do caso]. Mais do que ninguém eu quero que isso seja desvendado, mas de forma verídica", disse. 

Mandados de busca e apreensão

Na véspera, agentes da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriram mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete do vereador.

Na casa de Siciliano, que mora em um condomínio na Barra da Tijuca, os policiais apreenderam um tablet, um notebook e documentos. O vereador não estava no local. Já no gabinete de Siciliano, na Câmara dos Vereadores da capital, os agentes apreenderam um computador. Como a sala estava fechada, a porta precisou ser arrombada.

Em comunicado à imprensa divulgado por meio de um áudio, Siciliano alegou inocência e se disse "perplexo com esta etapa da investigação". 

Também na sexta-feira (14), o vereador prestou depoimento na Polícia Civil sobre um esquema de grilagem de terras. Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, general Richard Nunes, Marielle foi assassinada porque interferiu em interesses de milicianos sobre loteamento de terras em regiões periféricas da capital do Rio de Janeiro, na zona oeste. 

O vereador negou envolvimento com a região de Novo Palmares, em que Marielle supostamente atuava. 

"Que disputa é essa? Primeiro era na Cidade de Deus. Eu não tive voto na Cidade de Deus. Agora é em Palmares. Eu quero que me digam quando eu entrei em Novo Palmares, quando comprei lote em Novo Palmares. O único terreno de loteamento que eu fiz foi há 20 anos, em Vargem Grande, bem distante de Novo Palmares. Mais uma história que estão tentando. Qual vai ser a próxima?", questionou.

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