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Barragem que rompeu em Brumadinho não estava em risco, diz relatório da ANA

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

25/01/2019 20h04

principal barragem da mineradora Vale que se rompeu na cidade de Brumadinho (MG) no final da manhã desta sexta-feira (25) não se encontrava em situação de risco, de acordo com a ANA (Agência Nacional de Águas). Outras duas barragens também se romperam com o deslizamento da lama.

Em um comunicado divulgado nesta noite, a ANA informou que a barragem não foi classificada como "crítica" pela ANM (Agência Nacional de Mineração), responsável pelas informações das barragens de rejeito de minério, para a elaboração do Relatório de Segurança de Barragens 2017.

O documento é consolidado pela ANA a partir de informações disponibilizadas pelos órgãos responsáveis pela fiscalização de barragens, a depender de seu tipo de uso (produção de energia elétrica, contenção de rejeitos de mineração ou usos múltiplos da água).

No fim da tarde desta sexta, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que foram três, e não apenas uma, barragens da Vale que se romperam em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros, o rompimento da primeira barragem acabou sobrecarregando as outras duas, que romperam em seguida.

Aihara também afirmou que o número de vítimas fatais pelo acidente pode ser maior do que a quantidade de mortos de Mariana, onde uma barragem da Samarco se rompeu há três anos e dois meses. "Infelizmente, [o número de mortos] pode superar a quantidade de vítimas fatais de Mariana", disse. 

Ele justificou a previsão pelo fato de o rompimento de Brumadinho acontecer em uma área com maior concentração de pessoas.

Segundo os Bombeiros, o número de desparecidos e possíveis vítimas é estimado entre 200 e 300 pessoas. Até o momento, não há informações oficiais sobre mortos.

De acordo com a corporação, o número de desaparecidos foi calculado considerando a informação de que 100 funcionários da Vale estariam em uma área próxima ao local, além de considerar a capacidade máxima de restaurantes e estabelecimentos comerciais da região atingida pelos rejeitos.

Mais cedo, a Vale informou, em nota, que empregados da área administrativa da empresa estavam na região atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade de vítimas.
Ainda segundo a Vale, parte da comunidade da Vila Ferteco também foi atingida.

O caso de Brumadinho acontece três anos e dois meses após o rompimento de uma barragem da Samarco em um distrito de Mariana, também em Minas Gerais. A Vale é uma das controladoras da Samarco. Dezenove pessoas morreram na ocasião e milhares perderam as casas em função do vazamento de 40 bilhões de litros de lama.

Segundo o site da mineradora Vale, a barragem I, que rompeu nesta sexta-feira, tinha capacidade de 12,7 milhões de metros cúbicos. Para efeito de comparação, a barragem da Samarco, operada pela Vale com a australiana BHP, tinha 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

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