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Cotidiano

"Entra qualquer um", diz aluno que presenciou tiroteio em escola de Suzano

Talita Marchao e Mirthyani Bezerra

Do UOL, em Suzano e em São Paulo

13/03/2019 13h10Atualizada em 13/03/2019 15h36

O estudante do 2º ano do ensino médio Lucas, 16, contou que o sinal para o intervalo tocou às 9h30 e que os primeiros tiros começaram cinco minutos depois na Escola Estadual Professor Raul Brasil, na manhã de hoje. Duas pessoas encapuzadas atiraram em direção aos alunos, mataram ao menos oito pessoas e depois cometeram suicídio, segundo informações da Polícia Militar.

Lucas estava com os amigos no pátio quando escutou o primeiro tiro e começou a correr. Ele contou que estava de costas e não viu os atiradores.

"Eu não vi arma, eu não vi nada. Quando ouvi os disparos, eu só corri. Eu não estava muito longe dos disparos, que foram feitos na secretaria. Eu estava em um pátio", contou. Ele disse que pulou três muros para conseguir escapar dos disparos. "Foi muito tiro, eu ouvi uns 15 tiros", contou.

O adolescente, que estuda há seis anos na escola, disse a escola sempre foi um ambiente pacífico, que já teve briga na escola, mas "nunca de matar ninguém". "Não tem policiamento, nem ronda aqui. Os alunos que entram não vão se identificar, não estão com uniforme. Pode-se dizer entra qualquer um", disse.

Ele afirmou ainda que às quartas há aulas no Centro de Estudo de Línguas (CEL) e que os alunos entram pela escola.

Em entrevista à Globo News, Rogério Reis, pai de uma aluna de 15 anos, disse ter vindo desesperado para saber o que estava ocorrendo. A filha dele disse ter visto um dos atiradores.

"Ela falou que o amigo dela tomou um tiro e caiu na frente dela. Ela está muito abalada. Foi muito desespero, queria saber se ela estava bem", disse. Reis disse que a filha chegou a ver um dos atiradores. "Ela viu este cara com a mochila nas costas com uma caveira. No desespero, caiu o telefone e só consegui falar quando encontrei ela", afirmou.

Como foi a ação

Antes de chegar à escola, os dois atiradores atiraram contra o dono de um lava-rápido próximo a unidade de ensino. O homem foi socorrido para a Santa Casa de Misericórdia em Suzano e passa por uma cirurgia. Do lava-rápido, eles se dirigiram à escola. Um vídeo de uma câmera de segurança mostra os dois atiradores chegando na escola em um carro branco, em frente à entrada da unidade de ensino.

Eles entraram pela porta da frente, atiraram contra a coordenadora pedagógica e contra outra funcionária da escola. "Estava na hora do lanche. Eles se dirigiram ao pátio, atiraram em mais quatro alunos do ensino médio. Nesse horário, só tínhamos alunos do ensino médio", disse o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, Marcelo Salles.

Do pátio, os atiradores seguiram em direção ao centro de línguas. "Os alunos do centro de língua se fecharam na sala junto com a professora e eles [os atiradores] se suicidaram no corredor", concluiu.

Ainda segundo Salles, os dois usaram um revólver calibre 38 e uma besta (espécie de arco e flecha disparado por um gatilho). Eles fizeram uso de quatro carregadores de munição, conhecidos como jet loaders.

"É uma ação vil, totalmente imponderada. Eu tenho 34 anos de serviço e não tinha visto ainda uma ocorrência com um artefato desse, a besta. Totalmente despropositado e imponderável", disse Salles.

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