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Professores e funcionários voltam a local de massacre em Suzano

Nathan Lopes

Do UOL, em Suzano (SP)

18/03/2019 09h35Atualizada em 18/03/2019 10h19

O futuro na Escola Estadual Raul Brasil começou a ser debatido hoje, cinco dias após o massacre em Suzano (Grande São Paulo). Professores e funcionários da unidade de ensino chegaram a partir das 8h30. A maioria não quis falar com a imprensa, mas o reencontro nas dependências da escola teve abraços e emoção.

A escola será aberta aos alunos amanhã com atividades opcionais. Ainda não há previsão de quando as aulas serão retomadas. "Isso será muito discutido com os coordenadores para que eles possam vir no momento ideal deles", disse Eliana Pasarelli, coordenadora dos programas de cidadania de SP, ligados à Secretaria de Justiça. "Eles [professores e funcionários] são vítimas".

Poucos minutos antes das 10h, pais que aguardavam na porta da escola puderam entrar para retirar os pertences dos alunos que ficaram no local desde a quarta-feira passada.

A funcionária do setor de limpeza Edmar Pereira Baião, única a falar na entrada, não estava na escola no momento do ataque. "Se estivesse, também não ia suportar essa dor. Demais".

Ela veio à escola para buscar apoio emocional. "A dor desses pais... estou sentindo a dor deles", disse, pedindo mais segurança no local. "Por isso, que peço muita segurança, que a gente tá precisando demais".

O objetivo das atividade de hoje é planejar e estruturar atividades de acolhimento à comunidade escolar. As ações de preparação psicológica são planejadas com as secretarias estaduais de Educação, Saúde e Justiça.

Também estão presentes profissionais de psicologia de USP, Unicamp e do Capes (Centros de Atenção Psicossocial) da Prefeitura de Suzano.

Psicólogos da Secretaria de Saúde disseram que iam começar uma rodada de conversa com os funcionários para ajudar na recuperação emocional deles.

Aos poucos, a rotina vai sendo retomada no entorno. Em uma escola particular vizinha à Raul Brasil, alunos começaram a voltar às aulas hoje.

Na semana passada, ela funcionou, mas a vinda era facultativa. Hoje, a cena mais comum eram pais beijando e abraçando fortemente seus filhos antes de eles entrarem na escola.

Ao redor da escola, populares demonstram apoio à comunidade escolar. Um deles é Antonio da Paz, 75, que vai atuar como voluntário na escola.

Ele, que veio de São Roque, a cerca de 70 quilômetros de Suzano, ajudará na pintura e remodelação da escola. "Pra tirar essa imagem. Os alunos vão chegar aí e vão ver tudo diferente".

Ele pendurou um cartaz na entrada da escola dando as boas-vindas a professores e alunos. "Que eles voltem o mais rápido possível, com o pé direito na frente."

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