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Restaurante no Rio expulsa mãe e bebê de três meses durante temporal

Arquivo pessoal
Flavia Lopes e sua filha Linda foram expulsas de restaurante durante temporal no Rio Imagem: Arquivo pessoal

Pauline Almeida

Colaboração para o UOL, no Rio

2019-04-10T12:14:30

2019-04-11T10:40:09

10/04/2019 12h14Atualizada em 11/04/2019 10h40

Uma mulher e sua filha de três meses foram obrigadas a deixar um restaurante do Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro, durante o forte temporal da última segunda-feira (8), que causou a morte de dez pessoas.

O caso repercutiu nas redes sociais e fez com que o estabelecimento se retratasse publicamente. No fim, uma ação positiva foi gerada: cliente e proprietárias se juntaram para pensar como estabelecimentos devem ter sensibilidade no atendimento a mulheres com filhos.

Pelas redes sociais, a psicóloga Flavia Lopes, 32 anos, contou o que aconteceu, "sem acreditar na falta de solidariedade de alguns", mas muito agradecida com um grupo de mães que veio ao seu resgate.

Quando a chuva começou, acompanhada da filha, ela lanchava no restaurante Empório Jardim. O bairro registrou 334,4 mm de chuva, sendo a segunda região com maior índice na cidade, segundo dados do Alerta Rio, do Centro de Operação da Prefeitura do Rio de Janeiro. Carros foram arrastados e casas invadidas pela água.

A psicóloga relatou que passou a ser pressionada pelos funcionários para que encerrasse a conta 1h antes do horário regular de fechamento. Ainda sem bateria no celular, pediu que o marido ligasse no telefone fixo do restaurante e chorou, sem saber o que fazer ou para onde ir.

"(Foi) uma situação muito desagradável, a gente não tinha acolhida em um momento bem horrível que estava o Rio de Janeiro, de um temporal. Eu me senti desamparada" contou em entrevista ao UOL.

Se do restaurante faltou acolhimento, ele apareceu por parte do grupo Sementeiras, que reúne mães no WhatsApp. A blogueira Manoela César lembrou que o ateliê da estilista Carol Hungria ficava próximo ao local e pediu ajuda. Rapidamente, uma assistente foi ao restaurante e resgatou Flavia e a filha.

A saga só acabou às 3h, quando o marido da pscióloga conseguiu buscar as duas para voltar para casa. Pelas redes sociais, as Sementeiras lançaram uma corrente "Ninguém solta a mãe de ninguém", destacando a importância da empatia e solidariedade.

Desculpas e união

Com as críticas que apareceram após o relato de Flávia, as proprietárias do Empório Jardim se pronunciaram e pediram desculpas. "Estamos muito tristes, pois minha equipe falhou - e portanto, eu e minhas sócias também falhamos em acolher uma cliente, mãe e sua bebê, durante a chuva que acometeu nossa cidade", publicaram na página oficial do estabelecimento.

Após ter sentido o desamparo de estar com a filha em meio ao temporal, Flavia Lopes não quer que outras mulheres passem pelo mesmo e decidiu focar no que o episódio pode gerar de positivo.

"Eu estou em contato com as donas e o nosso grupo de Sementeiras para pensar em estratégias, para estabelecimentos terem mais empatia e solidariedade de mães com bebês, não só em dias de temporal, mas no dia a dia, porque a gente se sente invisível", explicou.

Críticas e parabéns

Durante o temporal, outros estabelecimentos do Rio de Janeiro foram alvos de críticas e parabéns.

Cerca de 30 crianças que estavam em uma festa de aniversário buscaram abrigo no shopping Lagoon, na Lagoa, zona sul. Os pais pediram aos funcionários do cinema do local, onde existem sofás, que elas pudessem ficar por ali após o horário de fechamento, mas receberam uma negativa que veio à tona nas redes sociais. "Vocês nunca mais verão um centavo do meu dinheiro", escreveu um dos pais em seu perfil.

No caso das crianças, a ajuda veio de três restaurantes. O shopping se pronunciou publicamente e alegou que o cinema é uma empresa independente, sobre a qual não pode interferir, e agradeceu os estabelecimentos que receberam os aniversariantes e seus convidados.

Em nota enviada ao UOL, a Cinépolis, responsável pelo cinema no shopping Lagoon, informou lamentar o ocorrido, responsabilizou uma funcionária pelo fato e alegou estar tomando providências.

"Por volta das 21h10, um grupo de crianças acompanhadas dos pais, procuraram um funcionário do cinema para se abrigarem no "lobby até que a chuva parasse e pediram ajuda para que as crianças pudessem também receber pipocas. A funcionária informou que eles poderiam ficar no lobby, porém somente até a meia noite, horário de funcionamento do cinema, sem se atentar a situação adversa que todos passavam naquele momento, assim como, não consultou seus superiores ao recusar oferecer as pipocas para as crianças. A Cinépolis informa que esta não é a conduta da empresa e que a funcionária não agiu de acordo com o treinamento que lhe é passado, mantendo sempre a sensibilidade e cordialidade com os clientes, mesmo em situações delicadas e imprevistos", informou a empresa.

No Via Parque, shopping da Barra da Tijuca, clientes parabenizaram o local, que se manteve aberto, com várias pessoas dormindo durante a madrugada de terça-feira.

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