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Polícia investiga morte de cadela atacada com ácido em São Manuel (SP)

Bolinha antes e depois de ser atacada com ácido em São Manuel (SP) - Arquivo pessoal
Bolinha antes e depois de ser atacada com ácido em São Manuel (SP) Imagem: Arquivo pessoal

Bruna Alves

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/05/2019 18h00

A polícia de São Manuel (SP) abriu investigação para apurar a invasão de uma casa que resultou na morte de uma cadela de dois anos da raça Lhasa Apso atacada com um tipo de ácido, enquanto estava sozinha no imóvel. A cadela chamada Bolinha foi socorrida ao hospital veterinário por suas donas quando chegaram em casa, mas não resistiu aos ferimentos e teve que ser sacrificada.

O caso ocorreu na última quinta-feira (23) e chocou a dona da cadela. "Eu não acredito até agora. (Mesmo) se fosse uma cachorra que desse problema, ainda assim não seria motivo de uma pessoa fazer isso, mas a bichinha brincava com todo mundo. Eu já chorei demais", diz Núbia Brasilina das Neves, 39, que mora com sua filha de 17 anos. Bolinha morreu no dia seguinte ao ataque.

Núbia conta que no dia do ataque saiu para trabalhar normalmente por volta das 13h e quando voltou, às 16h, encontrou Bolinha no portão sem enxergar, toda queimada e com muita dificuldade de se mexer. "Eu não reconheci ela. Eu fiquei 20 minutos parada em choque olhando aquilo", recorda.

Segundo a dona, Bolinha e Maggie, a outra cadela da família, são dóceis e caseiras. Núbia afirma que um desconhecido pulou o muro da casa, preparou a química em seu tanque e jogou na cadelinha. Ela acredita que a filhote mais velha, Meggie, não foi atingida por ter se esquivado, mas Bolinha era dócil e gostava de brincar com todos, sendo um alvo fácil.

Bolinha adorava brincar com donas

UOL Notícias

"Eu era muito grudada com ela. Quando eu vi, eu fiquei paralisada. Eu não queria aceitar, ela ficou totalmente deformada", lamenta Nataly, filha de Núbia, de 17 anos.

O quintal da casa ficou com resquícios de ácido no chão e na porta da cozinha, além de muito sangue e pele que a Bolinha perdeu. Núbia pensou, inicialmente, que algum produto de limpeza poderia ter caído em cima da cadela, mas como encontrou tudo no lugar, ela notou que algo estava errado.

A família levou Bolinha até uma clínica veterinária particular, onde ela passou a noite. No outro dia, quando foram vê-la, a pata estava muito escura, ela estava urinando sangue e seu quadro clínico havia piorado. De lá, Bolinha seguiu para o Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP).

Bolinha beijada - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Mãe e filha lamentam morte cruel de Bolinha e cobram investigação
Imagem: Arquivo pessoal
Os veterinários informaram que a cadela foi atingida por algum tipo de ácido, que a deixou cega. A família ouviu a recomendação que o melhor seria amputar a pata, mas que isso causaria muito sofrimento ao animal no tratamento. Por isso, optou-se por sacrificar Bolinha.

"Na hora eu não queria, eu insisti com a minha mãe para não fazer, mas eu decidi fazer porque eu vi que era o melhor para ela, porque ela estava sentindo muita dor. Eu amava ela. Era a minha melhor amiga, eu estou sentindo muita saudade", revela Nataly.

A Unesp fez uma necrópsia na cadela para identificar a substância utilizada e ajudar a polícia nas investigações. O laudo deve ficar pronto em 30 dias.

Polícia procura por suspeitos

A delegada Michela Ragazzi, que investiga o caso, informou ao UOL que não tem pistas de suspeitos do crime. "Isso foi pura maldade mesmo, a pessoa jogou o produto dentro de uma bacia e esse produto espirrou na porta, no tanque e na máquina de lavar. Deve ter acuado a cachorrinha no canto do imóvel para fazer essa atrocidade de ferir", explica a delegada.

Para ela, a substância utilizada para atingir Bolinha é soda cáustica, mas é preciso aguardar o resultado do exame necroscópico para a confirmação. Um inquérito foi instaurado para investigar o caso, e a polícia aguarda qualquer informação da vizinhança que possa ajudar nas investigações. As denúncias podem ser feitas de forma anônima no telefone da delegacia: (14) 3841-2444.

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