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Morte de pastor: investigação mira motivação e dinâmica do crime

O pastor Anderson Carmo e a deputada federal Flordelis - Reprodução
O pastor Anderson Carmo e a deputada federal Flordelis Imagem: Reprodução

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

21/06/2019 17h52

Depois que o filho biológico da deputada federal Flordelis (PSD-RJ) confessou à polícia ter matado com seis tiros o pastor evangélico Anderson do Carmo Souza, 42, a Polícia Civil do Rio de Janeiro quer agora descobrir a motivação, além de tentar desvendar a dinâmica do crime.

A polícia já descarta uma suposta perseguição por duas motos e latrocínio (roubo seguido de morte) no crime cometido na madrugada do último domingo (16) em Niterói. Souza era casado com a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) e havia acabado de chegar em casa de carro quando foi assassinado.

A hipótese de crime passional no assassinato do pastor, cujo corpo teve 30 perfurações, muitas delas na região genital, não foi apontada em nenhum depoimento.

Flávio dos Santos Rodrigues, 38, confessou à polícia ter dado seis tiros no pastor. Ele e Lucas dos Santos, 18, filho adotivo do casal suspeito de ter comprado a arma de calibre 9 mm, estão presos. Ontem, a Justiça determinou a prisão temporária dos dois pelo crime de homicídio.

Em entrevista à imprensa no final da manhã de hoje, Bárbara Lomba, que chefia a Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, região metropolitana do Rio, disse que não houve menções a uma suposta perseguição em depoimentos. Já a hipótese de latrocínio foi descartada nos dias seguintes ao crime.

"Esse relato de que estavam sendo perseguidos não foi dado na delegacia. Nos autos não há esse registro", disse a delegada. Em entrevistas logo após o crime, Flordelis afirmou que duas motos teriam perseguido o carro em que o casal estava momentos antes do crime.

Pequeno incêndio

A delegada também informou que, ao cumprir os mandados de busca e apreensão na terça (18), um pequeno incêndio teria ocorrido na casa de Flordelis.

"Havia um pequeno incêndio na casa quando entramos para cumprir o mandado de busca e apreensão, e fizemos um exame pericial. O laudo não está pronto. Mas o perito nos relatou que não havia condições de saber o que estaria sendo destruído e se alguma coisa estava sendo destruída", disse a delegada.

A polícia investiga a dinâmica do que aconteceu naquela noite a partir da coleta de mais depoimentos de pessoas que estiveram no local. "A vítima chegou em casa e, poucos minutos depois, teria voltado ao carro. Não se sabe e não há provas de que alguém a tenha chamado", explicou Bárbara.

A delegada afirmou hoje que tanto o celular de Souza quanto o de Flávio não foram localizados pela polícia.

"[O celular do pastor] não foi encontrado até hoje. Uma das primeiras medidas foi tentar obter esse celular, que poderia nos dar informações mais precisas e até mesmo elucidar o crime", disse Lomba.

"Temos muito trabalho a fazer ainda. Não está esclarecida a motivação, se a execução aconteceu daquela forma que foi narrada, se há mais pessoas envolvidas. O crime foi domingo. A polícia não pode trabalhar em uma semana e resolver, tem risco de conduzirmos inadequadamente as investigações", acrescentou a delegada. "São muitas motivações possíveis e pode ser mais de uma", finalizou.

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