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Mortes de famílias devido a gás de aquecedor dão alerta; saiba se prevenir

Aquecedor usado por família vítima de intoxicação por monóxido de carbono em Santo André (SP) - Arquivo pessoal
Aquecedor usado por família vítima de intoxicação por monóxido de carbono em Santo André (SP) Imagem: Arquivo pessoal

Marcela Leite

Do UOL, em São Paulo

16/07/2019 04h01

Uma família brasileira morta no Chile em maio; pai e filha achados sem vida em Campos do Jordão (SP) em junho; quatro mortos em um apartamento em Santo André (SP) no domingo (14). Em comum, os três casos têm como causa confirmada ou sob investigação a intoxicação proveniente de aquecedor a gás. Como se prevenir desse risco?

Para Leonardo Abreu, presidente da Associação Brasileira de Aquecimento e Gás (Abagás), dois fatores são essenciais: instalação adequada - com boa ventilação, dutos de exaustão - e manutenção anual.

No caso do ABC paulista, em que a perícia atestou taxa de monóxido de carbono 20 vezes maior do que a tolerada pelo ser humano, nada disso parece ter sido observado.

O delegado Roberto Von Haydin, do 1º DP de Santo André, disse que "não foi encontrada nenhuma chaminé de exaustão", e o síndico do prédio disse que o exaustor estava instalado de forma irregular. Além disso, as janelas estavam fechadas.

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Área para o gás escapar

Segundo a Comgas (Companhia de Gás de São Paulo) não foi detectado vazamento de gás natural no apartamento em Santo André.

Mas ainda assim, alertam os especialistas, todo aquecedor a gás libera resíduos e é preciso haver caminhos para o escape - que podem ser janelas abertas ou dutos de exaustão.

Isso porque toda queima de gás, base do funcionamento dos aquecedores, liberará algum resíduo:

  • Se a queima for "completa" ou "higiênica", serão liberados dióxido de carbono e vapor d'água, que não são tóxicos, mas têm de ser direcionados para o exterior da edificação por meio de dutos de exaustão, segundo a Abagás.
  • Problemas de conservação ou falta eventual de oxigenação podem fazer com que a queima seja incompleta. Nesse caso, sobra também monóxido de carbono -- um gás altamente tóxico sem cheiro, gosto ou cor e que pode levar à morte.

Aquecedores instalados e produzidos antes de setembro de 2014, quando foram criadas normas para a instalação de produtos a gás, precisam de mais atenção, segundo o presidente da Abagás.

Atenção aos sintomas

Em junho, as quatro vítimas já haviam apresentado crises de vômito e outros sinais de intoxicação e procuraram atendimento médico, mas foram diagnosticadas com sinusite e desidratação. Um pássaro da família morreu na mesma época.

A intoxicação acontece porque o monóxido de carbono se liga de forma irreversível à hemoglobina, responsável pela cor vermelha do sangue e por transportar o oxigênio às células do organismo.

"Se a pessoa inalar muito, surge um composto chamado Carboxyhemoglobina, que pode causar a morte por envenenamento ao impedir que as cédulas recebam oxigênio", diz Alvaro Pulchinelli Junior, toxicologista da Escola Paulista de Medicina e do IBTox (Instituto Brasileiro de Toxicologia).

Dicas da Abagás para aquecedores a gás:

  • Para instalar o equipamento e fazer a manutenção recomendada anualmente, é necessário contratar um profissional qualificado, respeitando as normas de segurança da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas);
  • O local de instalação deve atender aos requisitos de volume mínimo e ter aberturas de ventilação permanente adequados ao tipo de aparelho e sua potência, de acordo com a norma;
  • De acordo com o tipo e potência do aparelho, podem ser necessárias aberturas de ventilação e um duto de exaustão;
  • As aberturas de ventilação permanente servem para assegurar o desempenho do aparelho e a segurança de quem vai usá-lo;
  • As válvulas de fechamento do gás combustível devem ser de fácil acesso e estar corretamente instaladas;
  • Tubos flexíveis de alimentação de gás e dutos de exaustão devem estar bem conservados e sem fissuras;
  • Caso note pelo cheiro que há vazamento do gás que alimenta o equipamento ou haja ruído excessivo e diferente do normal, é recomendado não acender as luzes ou usar aparelhos que usam a energia elétrica, além de não usar fósforos e isqueiros. O que se deve fazer é ventilar o local, abrindo portas e janelas, fechar o registro do combustível e as válvulas do equipamento e deixar o ambiente. Depois disso, o recomendado é acionar a concessionária que fornece o gás ou os bombeiros.
  • As mesmas recomendações anteriores valem caso haja náusea ou mal-estar súbito com o aparelho ligado, o que pode significar que há uma alta quantidade de monóxido de carbono no ambiente.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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