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Criança recém-operada do coração é flagrada vivendo dentro de lixão em PE

Ministério Público encontrou famílias vivendo em situação degradante em um lixão de Floresta, cidade no sertão de Pernambuco - Marcus Antonius/Acervo FPI/PE
Ministério Público encontrou famílias vivendo em situação degradante em um lixão de Floresta, cidade no sertão de Pernambuco
Imagem: Marcus Antonius/Acervo FPI/PE

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

20/07/2019 04h01

Uma ação dos Ministérios Públicos estadual e federal em Pernambuco flagrou anteontem famílias morando em situação degradante no lixão de Floresta, no Sertão. Uma menina de 12 anos que havia passado por uma cirurgia cardíaca recente no Recife foi retirada do local.

A pouco mais de 400 quilômetros da capital, a cidade de Floresta é ponto de partida de um dos canais da transposição do rio São Francisco. As famílias vivem da venda de material reciclável recolhido no local.

A garota resgatada morava com a família em uma habitação feita de papelão e foi encaminhada no mesmo dia para o hospital da cidade.

Segundo o MPF, a criança "corria risco de vida em razão do ambiente poluído em que se encontrava, contrariando a recomendação médica para o pós-operatório."

Ministério Público localiza famílias vivendo no lixão de Floresta, sertão de Pernambuco  - Marcus Antonius/Acervo FPI/PE
Ministério Público localiza famílias vivendo no lixão de Floresta, sertão de Pernambuco
Imagem: Marcus Antonius/Acervo FPI/PE

A equipe da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) da bacia do rio São Francisco entrou em contato com o prefeito da cidade, Ricardo Ferraz (PRP), e com secretários municipais.

Eles foram cobrados por solucionar a situação. Foi sugerido um levantamento sobre todos os moradores do lixão, além da adoção de medidas, em caráter emergencial, para retirar todas as pessoas do local.

"Em seguida, o poder público deve auxiliá-los a formar cooperativas para que eles desempenhem sua atividade profissional de forma adequada, com o uso de equipamentos de segurança e inclusão na cadeia da coleta seletiva, que ainda não existe em Floresta", pediu a FPI.

O MP de Pernambuco ainda pede a proibição do acesso e da permanência das pessoas no lixão. "O terreno está muito degradado, e o lixão, apesar de ser cercado, não tem controle de acesso", disse Maria do Rosário Malheiros, coordenadora da equipe Saneamento e servidora do MP.

Ainda segundo a FPI, os gestores públicos que acompanharam a visita se comprometeram a encaminhar, nos próximos dias, equipes do Centro de Referência em Assistência Social e do Conselho Tutelar para avaliar a situação das famílias e, em especial, das crianças.

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