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Polícia pede prisão de seguranças que torturaram jovem em supermercado

Jovem chicoteado por seguranças de supermercado mostra costas após sofrer agressões - 03.set.2019 - Reprodução/TV Globo
Jovem chicoteado por seguranças de supermercado mostra costas após sofrer agressões Imagem: 03.set.2019 - Reprodução/TV Globo

Alex Tajra e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

04/09/2019 15h59Atualizada em 04/09/2019 18h31

O delegado Pedro Luis de Sousa, do 80º DP (Distrito Policial), na Vila Joaniza, informou hoje que a polícia pediu a prisão cautelar dos dois seguranças que torturaram um jovem negro de 17 anos em um supermercado de São Paulo. Enquanto confirmava a informação ao UOL, Sousa conversava com um responsável pela empresa terceirizada que havia contratado os funcionários. Segundo o delegado, o sócio da empresa de segurança forneceu os dados dos seguranças já identificados e que estariam envolvidos na tortura.

O caso veio à tona na última segunda-feira (2), quando o estudante denunciou o caso na Polícia Civil. Em uma manhã de julho, conforme o Boletim de Ocorrência registrado, ele teria tentado furtar quatro barras de chocolate quando fora abordado na saída do supermercado pelos seguranças. O jovem foi levado a uma sala dentro do estabelecimento, amordaçado, despido e chicoteado com fios elétricos.

No depoimento, consta ainda que o jovem não quis registrar a denúncia naquele momento "pois temia pela sua vida". "Na saída do supermercado, ouviu S. [um dos seguranças acusados] dizer que, caso falasse algo para alguém, iria matá-lo.", diz o documento.

Os seguranças gravaram em vídeo as agressões. O UOL teve acesso à filmagem e confirmou sua veracidade com o delegado Pedro Luis de Sousa. No vídeo, o jovem aparece quase inteiramente nu, com as calças abaixadas na altura do joelho, enquanto é agredido com uma espécie de chicote por um homem.

No local onde o jovem fora torturado, é possível notar caixas lacradas e caixotes de plástico com frutas, no que aparenta ser um depósito.

O caso ocorreu de uma unidade do supermercado Ricoy. O supermercado disse já ter afastado os seguranças, que prestavam serviço por meio de uma empresa terceirizada —segundo as investigações, um dos seguranças seria um ex-policial militar.

O advogado Ariel de Castro Alves, que faz parte do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), acompanhou o depoimento do jovem e afirmou que o órgão vai fiscalizar a atuação das autoridades em relação ao caso. Alves afirma ainda que o conselho está preocupado com a proteção do jovem que denunciou os seguranças, posto que ele está em uma situação de vulnerabilidade.

"Agressão covarde"

Ontem, em entrevista ao UOL, o delegado Pedro Luis de Sousa afirmou que ficou comovido com o relato da vítima e ao ver as imagens apresentadas. "Como pode uma pessoa fazer isso com outra? Eu não consigo imaginar. Fiquei dez anos no DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e não tinha visto algo assim tão triste", afirmou.

"Toda aquela situação é deprimente. Foi uma agressão covarde, que me causou asco, me causou muita repulsa", complementou o delegado. Responsáveis pelo supermercado foram ouvidos na tarde de ontem no DP. O delegado afirmou ainda que quer fazer diligências para encontrar o chicote utilizado para agredir o jovem.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou o sétimo parágrafo, a sigla Condepe significa Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, e não Conselho Estadual de Direitos Humanos. A informação foi corrigida.

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