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Laudo contradiz versão de PMs acusados de chacina no RJ em 2015, diz jornal

Carro com cinco jovens que foi alvo de tiros em novembro de 2015 - Fabiano Rocha/Agência O Globo
Carro com cinco jovens que foi alvo de tiros em novembro de 2015 Imagem: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Do UOL, em São Paulo

17/09/2019 10h10

Um laudo produzido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro vai na contramão da versão apresentada por quatro PMs que são acusados de matarem cinco jovens em novembro de 2015, no bairro de Costa Barros, zona norte da capital fluminense. A informação é do jornal "Extra".

Os PMs entregaram como prova um revólver calibre 38 que, na versão deles, foi usado pelos jovens. Como a arma estava quebrada e não podia ser disparada, os policiais alegaram que ela tinha caído da mão do atirador.

No entanto, segundo o jornal 'Extra', um documento assinado pelo perito Laizes Johanson indica que a quebra do revólver "não pode ter sido causada por queda, uma vez que não foram observadas quaisquer outras avarias, tanto interna quanto externamente, que justificassem a modificação no posicionamento do gatilho".

O laudo ainda diz que "tendo em vista o posicionamento incorreto do gatilho, o qual se encontrava desarticulado da armadilha", o revólver não poderia produzir tiros.

O crime aconteceu no dia 28 de novembro, quando Wilton Esteves Domingos Júnior, 20, Wesley Castro Rodrigues, 25, Cleiton Corrêa de Souza, 18, Carlos Eduardo da Silva de Souza, 16, e Roberto de Souza Penha, 16, voltavam de um passeio no Parque de Madureira, zona norte, e passavam nas proximidades do Complexo da Pedreira —conjunto de favelas da região. Os PMs efetuaram 111 disparos contra o Palio em que estavam.

Em sua defesa, os policiais alegaram que a ação foi para conter uma quadrilha de roubo de cargas. Segundo eles, o primeiro disparo veio do carona do veículo, Wesley Castro Rodrigues. Eles ainda alegam que a arma foi encontrada no chão, ao lado do Palio onde as vítimas foram fuziladas.

Os policiais militares Antônio Carlos Gonçalves Filho, Fabio Pizza Oliveira da Silva, Thiago Resende Viana Barbosa e Marcio Darcy Alves dos Santos foram denunciados sob a acusação de homicídio qualificado e fraude processual. Segundo o jornal "Extra", o júri de Fábio será realizado no dia 28 de setembro.

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