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Conteúdo publicado há
6 meses
Chuva invade prédios, cobre carros e isola moradores em São Paulo

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

10/02/2020 12h00Atualizada em 10/02/2020 16h25

Resumo da notícia

  • Temporal e domingo para segunda invadiu a garagem de prédios
  • Moradores ficaram isolados em seus apartamentos e seus carros cobertos de água
  • Alguns moradores perderam também perderam objetos pessoais
  • A zona oeste de São Paulo é a região mais atingida pela chuva

O temporal que caiu na cidade de São Paulo entre a madrugada de ontem e a manhã de hoje invadiu garagens de prédios, cobriu carros e isolou moradores de condomínios.

A cidade está em estado de atenção, com registro de pontos de alagamentos. Os rios Tietê e Pinheiros transbordaram, tornando alguns trechos das marginais intransitáveis e obrigando a prefeitura a suspender o rodizio de veículos.

A jornalista Luanda Nera Motta, 45, tomou um susto ao abrir a janela de seu apartamento ao acordar, por volta das 6h30, na Barra-Funda, zona oeste da capital, região mais castigada pela chuva.

"Abri a janela e estava tudo alagado", afirmou ao UOL. "Interfonei para o porteiro, mas ninguém atendeu. Consegui falar com o zelador, que me disse que a portaria estava alagada e que ninguém conseguiria sair."

Carros submersos

Ela afirma que os moradores dos 399 apartamentos do condomínio estão presos dentro de casa. A maioria está preocupada com seus veículos, agora submersos. "Troquei meu carro no Natal, tenho um Nissan Versa que está com água até o teto", lamenta Luanda.

"Os carros ficam no segundo subsolo. O nível da água segue aumentando", afirma. "Sou uma das primeiras moradoras. Moro aqui há seis anos e nunca tinha entrado água."

Carros submersos em condomínio na Barra-Funda, zona oeste de São Paulo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Carros submersos em condomínio na Barra Funda, zona oeste de São Paulo
Imagem: Arquivo Pessoal

Luanda também se preocupa com os pertences que ficam guardados em depósitos individuais na garagem do edifício. "No meu depósito tem desde enfeite de Natal à patinete. Tem malas, ventilador, caixa de mantimento, armário, carvão... Só vamos saber do prejuízo quando a água baixar."

Perto dali, na Vila Leopoldina, também na zona oeste, o ponto de ônibus em frente a um condomínio de prédios estava praticamente coberto pela água. "A garagem do meu condomínio é mais alta que a rua, mas a água já chegou ao capô dos carros", lamenta a nutricionista Cristiane Silva, 36.

Dona de um Mitsubishi Pajero, ela não perdeu apenas o carro. "Dentro dele tem meu notebook e meu material de trabalho", conta. "Teve gente que tentou resgatar suas coisas, mas foram proibidos de descer porque há risco de choque."

No condomínio de Cristiane, ninguém entra ou sai. "Estão todos isolados aqui. Os funcionários que chegaram às 18h de ontem não puderam ir embora e os substitutos não conseguem chegar."

Seguro

Preocupada com o prejuízo, Luanda já ligou para a seguradora de carros. "Eles disseram que vão reembolsar. Se eu tivesse entrado com o carro na enchente, talvez não quisessem pagar, mas não é o caso. O veículo estava parado dentro da garagem."

Se a seguradora não pagar, o imbróglio terá de ser resolvido com o condomínio: "Aí vai ser uma outra discussão", disse.

Chuva só para na quarta

A previsão é de que a chuva continue durante todo o dia, diminua na terça-feira e só deva parar na quarta-feira (12). "Choveu em São Paulo 113 milímetros até agora [por volta das 9h], quase metade da média de 250 milímetros para o mês", informou ao UOL o meteorologista Marcelo Schneider, do Inmet.

O especialista se refere às chuvas que caíram na região de Santana, zona norte da cidade, entre "o final da tarde de domingo e a manhã de hoje". Na estação do Sesc Interlagos, choveu 84 milímetros, enquanto a precipitação foi maior em Barueri: 141,2 milímetros.

"A previsão é de que chova mais 20 milímetros hoje", espera Schneider. "A chuva se manterá firme até o início da tarde, quando começa a diminuir aos poucos. Ela continuará de fraca a moderada ao longo do dia com chuvisco à noite."

Embora as precipitações devam diminuir a partir de agora, a preocupação dos meteorologistas é com os deslizamentos. "O Problema é o deslizamento de encostas, principalmente no litoral e na região oeste de São Paulo", afirma Schneider. "O solo já vinha encharcado em razão dos últimos dias."

Mais tarde, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente disse que choveu 66% do total esperado para todo o mês.

Cotidiano