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Sob motim da PM e violência, Exército e Força Nacional patrulham Fortaleza

Agentes da Força Nacional da Segurança em Fortaleza (CE) - KLEBER GONÇALVES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Agentes da Força Nacional da Segurança em Fortaleza (CE) Imagem: KLEBER GONÇALVES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Alinny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

21/02/2020 13h00Atualizada em 21/02/2020 15h09

Resumo da notícia

  • Força Nacional e Exército atuam em Fortaleza
  • Parte dos policiais militares do Ceará estão amotinados
  • Eles rejeitam a proposta de reajuste do governo estadual

Com parte da Polícia Militar do Ceará amotinada e explosão da violência — 29 pessoas foram mortas em 24 horas —, Exército e Força Nacional de Segurança Pública assumiram o patrulhamento das ruas de Fortaleza e da região metropolitana desde a manhã de hoje.

Equipes da Força Nacional chegaram ontem, e mais reforços do Exército serão enviados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte ainda hoje. Ao todo serão 2.500 militares das Forças Armadas, segundo o Ministério Defesa.

O Ceará vive mais uma crise na segurança pública após policiais e bombeiros militares se amotinarem em pelo menos dois quartéis, rejeitando a proposta do governo estadual de reajuste salarial.

Nesta sexta-feira, homens encapuzados fecharam a base na Ciopaer (Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas) e o BPRaio (Batalhão de Ronda e Ações Intensivas e Ostensivas) em Sobral (270 km de Fortaleza), cidade onde o senador Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado.

Recrudescimento da violência

De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, o estado vive o período mais violento deste ano: as 29 mortes registradas entre as 6h de quarta-feira (19) e as 6h de quinta extrapolam a média de 6 assassinatos por dia registradas no Estado de 1º de janeiro até 18 de fevereiro.

Na madrugada de hoje, pelo menos mais duas pessoas foram assassinadas, incluindo um adolescente de 16 anos no bairro Vicente Pinzon, em Fortaleza, atacado e morto por sete homens que estavam a bordo em motocicletas.

Cid Gomes é baleado ao tentar entrar em quartel tomado por motim da PM

Ação federal e estadual

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) autorizou o deslocamento ao Ceará de 120 homens da Força Nacional de Segurança Pública e de 212 homens da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

No governo estadual, até a manhã de hoje, havia tomado estas medidas contra policiais rebeldes e suas famílias:

  • Abertura de 300 Inquéritos Policiais Militares contra policiais amotinados.
  • Prisão de 3 policiais por vandalismo.
  • 25 mulheres de militares responderão criminalmente por diversos atos.

A Constituição proíbe greve de policiais militares. Entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2017 estendeu o veto a agentes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal e Corpo de Bombeiros.

Na noite de ontem, uma comitiva de senadores se reuniu com PMs que estão ocupando 18º Batalhão de Caucaia e os militares decidiram manter a paralisação e todo o movimento.

Qual o motivo do motim?

Os PMs querem que o governo do Ceará refaça a proposta de reestruturação salarial enviada na terça-feira (18) para a Assembleia.

O projeto de lei prevê aumento de salário para os soldados da PM e para bombeiros de R$ 3.475 para R$ 4.500, com reajuste parcelado em três vezes até 2022.

Mas os policiais querem que o pagamento seja feito em apenas uma parcela e que seja apresentado um plano de carreira para a categoria.

Segurança pública