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Polícia recaptura 611 presos em SP; quase 1.400 fugiram

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

17/03/2020 14h12Atualizada em 18/03/2020 00h36

O governo do estado de São Paulo confirmou hoje que um total de 1.375 detentos fugiram de três presídios na noite de ontem. Até as 18h30 de hoje, a PM (Polícia Militar) tinha recapturado 611 fugitivos.

Escaparam presos das unidades prisionais de Mongaguá, Tremembé e Porto Feliz. Também houve incidentes, sem fugitivos, nas unidades de Mirandópolis e de Sumaré. As fugas ocorreram após a saída temporária de Páscoa e as visitas terem sido interrompidas por receio de alastramento do coronavírus.

Todas as unidades que registraram fugas são de regime semiaberto. Ou seja, local onde os presos podem trabalhar fora da prisão e retornar à noite, além de ter direito a cinco saídas temporárias durante o ano, entre cinco e sete dias.

Quantos fugiram e foram recapturados de casa prisão:

  • Porto Feliz - 594 (298 recapturados)
  • Mongaguá - 563 (201 recapturados)
  • Tremembé - 218 (112 recapturados)

Em nota, a SAP informou que o GIR (Grupo de Intervenção Rápida), formado por agentes penitenciários que atuam de forma ostensiva quando há anormalidades dentro de unidades prisionais do estado, controlou a situação em todas as unidades que se rebelaram.

Por meio de nota, a secretaria disse que ainda realiza a contagem para determinar o número exato de fugitivos. A pasta defende que a suspensão das saídas temporárias foi necessária para conter o coronavírus dentro de unidades prisionais.

"O benefício contemplaria mais de 34 mil sentenciados do regime semiaberto que, retornando ao cárcere, teriam elevado potencial para instalar e propagar o coronavírus em uma população vulnerável, gerando riscos à saúde de servidores e de custodiados", informou a SAP.

Secretário cita "normalidade"

O secretário de Administração Penitenciária do estado de São Paulo, Nivaldo Cesar Restivo, disse em entrevista ao Bom Dia São Paulo, da TV Globo, que os presídios onde houve rebelião e fuga de presos operam dentro da normalidade hoje.

Segundo ele, os motins foram uma reação à decisão da Corregedoria Geral da Justiça (CGJ) de suspender a saída temporária de detentos em razão do avanço da epidemia do novo coronavírus.

"A motivação tem origem na decisão de suspender a saída temporária. Quero deixar claro que não é supressão do benefício, é suspensão porque estamos diante de uma situação envolvendo dois problemas, tínhamos de optar pela que causasse menos prejuízos à população de São Paulo", referindo-se ao coronavírus. O estado de São Paulo registra o maior número de casos de covid-19 no país.

O secretário afirmou que as unidades que abrigam presos no regime semiaberto não podem, por lei, ter muralhas ou abrigar servidores armados.

Questionado sobre as rebeliões terem ocorrido ao mesmo tempo, Restivo disse que a comunicação entre os detentos é fácil "porque estão exercendo atividade laboral externa" e tranquilizou os paulistas. "A população pode ficar tranquila, exercer suas atividades normais, as forças de segurança estão trabalhando."

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