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Na reabertura, camelôs apostam nas máscaras como principal produto

Ambulantes tentam emplacar suas máscaras na rua Barão de Itapetininga, região central de São Paulo - Alex Tajra/ UOL
Ambulantes tentam emplacar suas máscaras na rua Barão de Itapetininga, região central de São Paulo Imagem: Alex Tajra/ UOL

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

10/06/2020 15h12

A poucos metros da praça da República, no centro histórico de São Paulo, vendedores ambulantes disputavam espaço para reforçar suas rendas no primeiro dia da reabertura do comércio de rua, que registrou aglomerações.

Os DVDs e CDS piratas e outros utensílios normalmente comercializados foram substituídos pelas máscaras, que se tornaram acessório imprescindível durante a pandemia do novo coronavírus. Os gritos promocionais continuam os mesmos: "três é cinco, quatro é dez", mas o produto principal mudou.

A vendedora Tamara Ventura é uma das que se enfileira em uma travessa da avenida Ipiranga. Ela trabalhava com o comércio de eletrônicos pela internet, mas teve de se adaptar após a quarentena e passou a vender também as máscaras.

"Tive que vir para a rua, porque pelo Mercado Livre [site de venda e revenda de produtos] não estava mais conseguindo [vender os produtos]. Mas vou te falar, hoje está mais fraco que nos outros dias", afirma.

No metrô, os vendedores trocaram as carteiras, plásticos para embalar documentos e chocolates pelas máscaras.

"É de algodão, dupla face, dá para fazer dois estilos diferentes com ela. Dá uma olhada aí, sem compromisso", diz um dos ambulantes ao repórter. Minutos depois, troca duas sacolinhas plásticas com máscaras por uma nota de R$ 5 de um passageiro.

Sob condição de anonimato, outros vendedores confidenciam à reportagem terem trocado as bugigangas pelas máscaras em meio à pandemia. "Instinto de sobrevivência", argumentou um deles.

O comércio de rua voltou a funcionar após mais de dois meses de quarentena. Ontem, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou que traçou acordos de protocolo com 27 associações que representam diversos setores da economia. Houve críticas à precipitação do prefeito, que havia sinalizado para uma abertura mais lenta e gradual.

Ontem, capital registrava o acumulado de 84,8 mil casos confirmados do novo coronavírus e 4.500 mortes decorrentes da covid-19.

Outro ponto questionado foi a fiscalização, que está sendo realizada pelos próprios empresários. As entidades se comprometeram com medidas de distanciamento social, higiene, sanitização de ambientes, orientação dos clientes e funcionários, testagem de colaboradores e medição de temperatura dos clientes.

Mas nem todas as recomendações foram seguidas. Em grandes lojas de eletrodomésticos, por exemplo, em cada setor de produtos era permitida apenas uma pessoa. Do lado de fora, longas filas eram formadas. Em outros estabelecimentos, no entanto, não havia controle e um grande número de pessoas se aglomerava dentro das lojas.

Aglomeração na Sé

As lojas abertas na região central traziam sensação conflitante; enquanto alguns funcionários e clientes admitiam o receio com a propagação do vírus, outros exaltavam a "volta da vida" às ruas.

"É bom que tem alguma coisa para olhar, né?", comenta uma mulher, devidamente uniformizada para o trabalho, na fila de uma loja de roupas.

"Só assim para entrar?", a mesma trabalhadora pergunta ao ser interpelada por um funcionário da loja com termômetro digital. Além de medir a temperatura, todos os clientes têm de passar álcool em gel nas mãos antes de ir às compras.

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