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Coronavírus

Shoppings voltam a funcionar amanhã por 4 horas na cidade de São Paulo

Alex Tajra e Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

10/06/2020 18h28

Os shoppings de São Paulo voltam às atividades amanhã (11). A decisão foi tomada após reunião da Prefeitura da capital com cinco representantes dos estabelecimentos, que se comprometeram a seguir protocolos de higiene e saúde pública para funcionar durante quatro horas por dia, em decorrência da pandemia do coronavírus.

Os locais ficarão abertos entre 16h e 20h — um horário "alternativo", das 6h às 10h, também poderá ser adotado. É obrigatório o uso de máscaras por todos os clientes e funcionários.

Não será permitido o atendimento presencial nas praças de alimentação. Em um primeiro momento, houve tentativa dos representantes dos shoppings para liberar um funcionamento condicionado dessas áreas, com separação de mesas e distanciamento. Porém, a prefeitura não aceitou.

Como serão as restrições

No documento firmado com as entidades representativas dos shoppings, constam as seguintes normas :

  • Não promover evento de reabertura do shopping;
  • Não promover eventos nem atividades que possam atrair grande número de pessoas;
  • Monitorar a quantidade de pessoas presentes no shopping ou centro comercial, estabelecendo o distanciamento entre as pessoas;
  • Ter como princípio a redução da densidade ocupacional do shopping, limitando a 20% a ocupação habitual dos ambientes no caso da cidade de São Paulo;
  • As lojas poderão funcionar, mas cinemas, entretenimento, atividades para crianças e similares permanecem fechados;
  • Exigir o uso de máscaras por todos os clientes e colaboradores;
  • Retirar do estabelecimento tapetes e objetos que dificultem a limpeza e optar por uma decoração minimalista;
  • Deverá ser efetuada a limpeza de cestas, carrinhos, sacolas ou semelhantes, a cada uso. Se possível essa higienização deve acontecer na frente do cliente;
  • Funcionários do shopping que estejam no grupo de risco devem permanecer em home office;
  • Minimizar a necessidade de manuseio de fechaduras mantendo, sempre que possível, portas abertas;
  • Utilizar termômetros sem contato para aferir temperatura dos funcionários e clientes que ingressarem ao Shopping;
  • Deverão ser estabelecidas as jornadas de trabalhado compatíveis com os horários reduzidos de funcionamento.

Segundo o prefeito Bruno Covas (PSDB), a ideia do horário é diluir a movimentação das pessoas que saem às compras, já que o comércio de rua está funcionando das 11h às 15h na capital paulista.

"As regras para os estabelecimentos dentro do shopping seguem as mesmas regras para os que estão fora. A expectativa é que a gente reabra com a segurança necessária, para melhorar os índices [de covid-19] na cidade de São Paulo", disse o prefeito, após assinatura do protocolo.

Os estabelecimentos devem "dedicar atenção especial para restaurantes e praças de alimentação. Na fase laranja, conforme classificação do Plano São Paulo, o atendimento presencial não está autorizado, embora seja possível os restaurantes funcionarem no sistema de delivery ou retirada", diz o protocolo firmado com a Prefeitura, citando o plano do governo de São Paulo elaborado na última semana de maio.

"A praça de alimentação continua fechada, porque os restaurantes fora de shopping continuam fechados", justificou Covas.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) após assinatura do protocolo de funcionamento dos shoppings durante a pandemia - Divulgação - Divulgação
O prefeito Bruno Covas (PSDB) após assinatura do protocolo de funcionamento dos shoppings
Imagem: Divulgação

Segundo apurou o UOL, houve reclamação por parte de representantes dos shoppings em função do horário de funcionamento, reduzido a quatro horas por dia. A Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), uma das organizações envolvidas na assinatura do protocolo, afirmou, no entanto, que não pediu à Prefeitura para que esse horário fosse ampliado.

A capital paulista foi classificada no nível laranja, a chamada "fase de controle". Segundo o governo do Estado, que formulou a classificação, é uma "fase de atenção e início da flexibilização de setores com baixo risco para a saúde".

Em um primeiro momento, Covas se mostrou mais apreensivo do que o governador João Doria (PSDB) para a reabertura. Foi estipulado pelo prefeito que os setores deveriam se comprometer com protocolos de higienização e saúde pública.

Ontem, no entanto, Covas anunciou que a prefeitura havia se acertado com os setores, após acordo firmado com 27 associações que representam os comércios, que reabriram hoje. Os shoppings eram a única pendência.

A reabertura tem sido criticada por médicos por conta do aumento dos casos do novo coronavírus em São Paulo, que desde o início da pandemia tem sido o epicentro da doença. Ontem, a capital registrava o acumulado de 84,8 mil casos confirmados do novo coronavírus e 4,5 mil mortes decorrentes da covid-19.

Contabilizadas as mortes suspeitas, são mais de 9,5 mil vítimas na capital. Entre 8 de maio e 8 de junho, segundo a prefeitura, ao menos 2.210 pessoas morreram da doença.

Primeiro dia com aglomerações

A reabertura dos comércios e serviços em São Paulo hoje provocou aglomerações na capital, em especial na região central. Ruas e lojas ficaram lotadas em diferentes regiões da cidade.

As lojas estavam programadas para abrir às 11h, mas mesmo antes deste horário já havia filas e um fluxo constante nas ruas. No bairro do Brás, tradicional reduto comercial da cidade, a avenida Rangel Pestana, que concentra boa parte das lojas, estava lotada.

O fluxo, em determinados momentos, parava por conta do excesso de pessoas, causando aglomerações em vários pontos da avenida. O mesmo foi visto na Lapa: a rua 12 de Outubro ficou lotada. Registros de aglomeração também foram feitos na rua 25 de Março, no centro.

Nem todos os comércios cumpriram as exigências da prefeitura para funcionar. Em grandes lojas de eletrodomésticos, por exemplo, em cada setor de produtos era permitida apenas uma pessoa. Do lado de fora, longas filas eram formadas. Em outros estabelecimentos, no entanto, não havia controle, e um grande número de pessoas se acumulava dentro das lojas.

Outra medida adotada em toda a cidade hoje foi a medição de temperatura. Muitas lojas só permitiram a entrada dos clientes após medição indicar que a pessoa não estava com febre. A regra, no entanto, não foi cumprida por parte considerável dos comércios.

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