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Polícia identifica ex-PM como coautor da morte do adolescente Guilherme

Luís Adorno e Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

30/06/2020 21h30Atualizada em 01/07/2020 16h55

Resumo da notícia

  • Polícia Civil identificou ex-PM foragido como o segundo envolvido na morte do adolescente Guilherme
  • O ex-soldado da PM Gilberto Eric Rodrigues fugiu em 2015 do presídio Romão Gomes e teve a prisão decretada novamente
  • Rodrigues e o sargento Adriano de Campos são, segundo a polícia, os dois autores do crime
  • Rodrigues foi preso em 2013 acusado de envolvimento em uma chacina em que sete pessoas foram mortas

A Polícia Civil de São Paulo identificou o ex-soldado da PM Gilberto Eric Rodrigues como o segundo envolvido no sequestro, tortura e assassinato do adolescente Guilherme Guedes, de 15 anos, na Vila Clara, zona sul de São Paulo, na madrugada de 14 de junho.

Rodrigues tem 32 anos, 1,72 m de altura e teve a prisão decretada pela Justiça de São Paulo, mas não foi localizado pela Polícia Civil e é considerado foragido.

Segundo o delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do DHPP, Rodrigues foi condenado por homicídio e participação em chacina em 2013, fugiu do presídio militar Romão Gomes em 1º de abril de 2015 e nunca mais foi encontrado.

A fuga de Rodrigues e outro PM que cumpria prisão no Romão Gomes se tornou notícia na época por ter sido apenas a terceira fuga registrada no presídio para militares que cometem crimes. Cães farejadores foram acionados para procurar os fugitivos, mas não os localizaram.

Segundo a Polícia Civil, Rodrigues é outro homem que aparece nas imagens captadas por uma câmera de segurança do bairro da Vila Clara que registrou o momento em que os dois suspeitos sequestraram o adolescente (entre 00:27 e 00:39 neste vídeo do UOL).

De acordo com Lopes, até o momento há apenas dois homens envolvidos no caso: o sargento da PM Adriano Fernandes de Campos, 41 —que é lotado no BAEP de São Bernardo do Campo, e fazia bico de segurança em um terreno perto da casa de Guilherme—, e o ex-PM Rodrigues.

"Só tem dois. Não tem mais ninguém: quem matou o Guilherme foram o sargento Adriano e esse Rodrigues", afirmou o delegado.

Semana passada, sete pistolas da PM foram apreendidas pela polícia no curso da investigação do caso, inclusive a pistola .40 usada pelo sargento Adriano em serviço, entregue pela Corregedoria da PM à Polícia Civil. Outras cinco foram apreendidas em batalhões da zona sul.

Laudo do IML aponta que Guilherme morreu com dois tiros na cabeça, conforme descrito por sua avó. Havia também marca de tiros nas mãos, sinal de que o jovem, inutilmente, tentou se proteger. Segundo a família, ele estava bastante machucado, sinal de que foi torturado antes de ser morto.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), "as diligências prosseguem para localizá-lo e prendê-lo. O caso está sob sigilo, motivo pelo qual não se pode detalhar o trabalho policial. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha as investigações".

Novo suspeito foi acusado de participar de chacina

O ex-soldado Rodrigues é um dos policiais militares acusados de matar sete pessoas em uma chacina que ocorreu no Jardim Rosana, zona sul de São Paulo, em janeiro de 2013.

Ele foi ligado ao crime depois de a perícia ter rastreado as cápsulas de estojo calibre .380 e .40, que eram de uso restrito a forças de segurança, e que pertenceriam ao então soldado da PM.

O ex-militar chegou a ser detido por suposta participação na chacina, mas ficou menos de dois anos no presídio militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Enquanto ele aguardava julgamento, fugiu pulando o muro da prisão.

Outros seis PMs foram denunciados por suposta participação na chacina. Segundo a Promotoria Militar, a chacina ocorreu por retaliação de PMs do 37º Batalhão, localizado no Campo Limpo.

Em novembro de 2012, um vídeo feito por um cinegrafista amador flagrou PMs do batalhão agredindo e matando um pedreiro. Cinco policiais foram presos após a repercussão do vídeo. Dois meses depois, a chacina ocorreu.

Segundo a investigação, o alvo principal dos PMs era o rapper Laércio Grumas, 33, o DJ Lah, músico do grupo Conexão do Morro. Os PMs achavam que ele tinha sido o responsável por gravar as imagens.

Na noite de 3 de janeiro de 2013, atiradores identificados como policiais, segundo testemunhas, atiraram na nuca de um rapaz que era cego. Na noite seguinte, outros sete foram assassinados no mesmo local, incluindo DJ Lah.

Segurança pública