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3 meses

"Nunca vou perdoar", diz irmão de suspeita de matar filho em Planalto (RS)

Rafael Mateus Winques, de 11 anos, morto em Planalto (RS) - Divulgação/Arquivo pessoal
Rafael Mateus Winques, de 11 anos, morto em Planalto (RS) Imagem: Divulgação/Arquivo pessoal

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

27/05/2020 14h04

Uma família se vê despedaçada com a descoberta do corpo de Rafael Mateus Winques, 11 anos, e a suspeita de envolvimento da própria mãe do garoto. O menino estava desaparecido há dez dias e foi encontrado sem vida e com sinais de estrangulamento dentro de uma caixa de papelão na última segunda, em Planalto (RS), a 424 quilômetros de Porto Alegre. A mãe, Alexandra Dougokenski, 32 anos, está presa temporariamente, em local não revelado pela polícia.

"Nunca vou perdoá-la. Não tirou só a vida dele, mas de todo mundo", diz irmão da suspeita, o mecânico Alberto Cagol, 18 anos.

Bastante apegado ao menino, o jovem praticamente coordenou as buscas ao sobrinho. Em 15 de maio, quando Rafael desapareceu, Alberto estava fazendo aulas para a Carteira Nacional de Habitação (CNH) quando começaram os burburinhos sobre o desaparecimento de uma criança em Planalto.

Esperança e dor

"Eu estava almoçando e um cara disse 'tem um piá desaparecido'. Daí eu pedi para ver a foto e era o Rafa. Desde aquele momento até quando acharam, tinha no coração que ele estava vivo. Eu procurei até num mato que tem aqui por perto. Só faltou erguer pedra por pedra. Tinha total esperança que estivesse vivo", disse Alberto.

O jovem ficou atônito ao descobrir que a irmã poderia ter envolvimento com a morte. "Nunca passou na nossa cabeça isso dela, não tinha motivos para fazer isso. Era uma mãe leoa, qualquer coisa ia ajudar (o filho). Era mais mãe para ele do que minha mãe para mim", conta.

A família mora em frente à casa onde a criança foi encontrada sem vida e agora precisa conviver com as lembranças. "Toda vez que a gente olha para lá, a gente recorda o que aconteceu."

A última lembrança

Apesar da proximidade, a família estava resguardada por conta do coronavírus. Entretanto, no Dia das Mães acabaram se reunindo, última vez que Alberto viu o menino.

"Era era muito parceirão. Sempre estava junto com a gente. Ele veio aqui e brincou bastante. Estava muito feliz. Essa é a minha última lembrança dele."

"Nunca teve intenção de matar", afirma defesa

Para o advogado Jean Severo, a mãe reafirmou que a morte do menino foi acidental após dar dois comprimidos de diazepam, remédio para ansiedade.

"Ela afirma que deu medicação para ele se acalmar e que entrou em desespero ao ver o filho sem vida. Para ela, o menino estava em óbito, com o corpo gelado, roxo e sem pulsação", diz o defensor de Alexandra, que considera um erro ela não ter informado à polícia. "Ela disse que ficou muito nervosa. Tomou decisão ruim e ocultou corpo de menino a dez passos da casa."

O advogado salienta que as marcas de estrangulamento no pescoço do menino podem ser da corda utilizada pela mãe para amarrar o corpo e arrastá-lo até a garagem vizinha. "Ela nunca teve intenção de matar."

O advogado ainda não teve acesso ao inquérito, mas observa que vai estudar o "mecanismo jurídico" para conseguir a soltura dela. "Ela está muito abalada, chorando muito, em situação desesperada."

Relembre o caso

O corpo de Rafael foi encontrado na garagem de uma casa após a mãe indicar o local à polícia. Em depoimento, ela disse ter dopado o filho com diazepam, enrolado o corpo em um lençol e arrastado até o local. Laudo da perícia apontou que a causa da morte foi "asfixia mecânica por estrangulamento".

A polícia passou a desconfiar da mãe por agir "muito serena e muito tranquila" apesar do desaparecimento do filho, segundo o delegado. Além disso, a mulher, ao invés de procurar inicialmente a Polícia Civil ou Brigada Militar, acionou primeiro o Conselho Tutelar. A mulher foi novamente chamada para prestar depoimento e acabou confessando o crime.

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