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1 mês
Restaurante à beira mar tem R$ 50 mil em prejuízos com ciclone bomba

Restaurante em Florianópolis fica destruído após passagem de ciclone bomba - Anderson Coelho/Folhapress
Restaurante em Florianópolis fica destruído após passagem de ciclone bomba Imagem: Anderson Coelho/Folhapress

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

02/07/2020 18h16

Os prejuízos com o ciclone bomba começam aos poucos a serem calculados por moradores da região sul do país. Na praia de Santo Antonio de Lisboa, em Florianopólis (SC), um restaurante especializado em frutos do mar estima ter R$ 50 mil em prejuízo. De frente para o mar, o estabelecimento foi fortemente atingido pela tempestade.

"Um terço dos vidros foram quebrados. As lonas voaram longe. A tampa da caixa d'água foi encontrada a 100 metros de distância", conta o administrador do Restaurante Rosso, Fernando Matos.

Ele estava no Centro da cidade no momento do ciclone e, ao saber dos estragos no estabelecimento, deslocou-se até o local conferir os danos.

"A sensação foi de muita angústia, tristeza. Como ninguém se feriu tem esse alento", relata Matos.

O empresário ainda relata que o restaurante, de dois andares, já passou por outras três tempestades fortes, mas nenhuma comparada a essa.

"Foi a pior de todas. Foi muito feio, revirou tudo", sintetiza o administrador que estima reabrir o negócio em dez dias.

Restaurante ficou danificado após passagem de ciclone bomba - Anderson Coelho/Folhapress - Anderson Coelho/Folhapress
Restaurante ficou danificado após passagem de ciclone bomba
Imagem: Anderson Coelho/Folhapress

Próximo dali, outro restaurante calcula em R$ 4 mil os prejuízos. Segundo a empresária Cássia Silva, de 51 anos, os vidros temperados do deck estouraram e parte do telhado foi levado pelo vento. Ela só conferiu os estragos no dia seguinte. Sem luz no local, Cássia precisou pedir emprestado o congelador de um amigo para evitar mais perdas.

"Coloquei tudo no carro e levei pra lá", conta Cássia, que estava seguindo para o sul da ilha quando o ciclone começou.

"Começou a escurecer e eu acelerei para tentar escapar. Quando eu passei a entrada do aeroporto novo, começou a dar as rajadas de ventos. Telhas e outdoors começaram a voar. Parecia tudo de folha de papel", conta. Um desses objetos acabou atingindo o para-brisas e quebrando o vidro do carro.

"Eu reagi e me abaixei. Mas não tinha como parar, porque estava na BR. Foi uma sensação de pavor, medo, de tentar se proteger."

SC: 135 municípios relataram estragos

Em Santa Catarina, 135 municípios relataram estragos devido ao ciclone. Pelo menos 2,2 mil moradias foram danificadas no estado e 83 rolos de lona já foram distribuídos. Segundo o boletim da Defesa Civil, cerca de 275 mil unidades consumidoras permaneciam sem energia na manhã de hoje. Esse número chegou a 1,5 milhão na terça-feira.

O ciclone provocou a morte de pelo menos dez pessoas - nove em Santa Catarina e uma no Rio Grande do Sul. Em SC, seis pessoas ficaram feridas e outras duas pessoas seguem desaparecidas.

No Rio Grande do Sul, 27 municípios reportaram danos pelo ciclone. Dessas, 19 cidades apresentaram estragos em 1.768 edificações. No RS, 74 pessoas estão desabrigadas - e foram para abrigos - e 2.237 estão desalojadas, já que suas casas tiveram danos na estrutura.

O maior número de desalojados se concentra em São Sebastião do Caí, a 64 quilômetros de Porto Alegre. Por lá, 1.150 pessoas estão nessa situação e algumas foram levadas para o ginásio municipal, devendo voltar para casa ainda hoje. Na cidade, 350 casas foram atingidas por uma inundação provocada pelo ciclone.

Cotidiano