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Brasil perde 4 a cada 10 litros de água durante a distribuição, aponta IBGE

28.mar.2015 - Vazamento de água em tubulação prejudica trânsito na avenida Interlagos, em São Paulo - Marco Ambrósio/Estadão Conteúdo
28.mar.2015 - Vazamento de água em tubulação prejudica trânsito na avenida Interlagos, em São Paulo Imagem: Marco Ambrósio/Estadão Conteúdo

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

22/07/2020 10h00

Resumo da notícia

  • A cada 1000 litros de água encanada, 611 litros chegam ao consumidor
  • Norte e Nordeste são regiões com maior índice de desperdício na distribuição
  • Pernambuco tem média mais baixa de consumo por domicílio; Amapá, a mais alta

A PNSB (Pesquisa Nacional de Saneamento Básico), divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que o Brasil tem um índice de perdas na distribuição de água potável de 38,9%. O dado é referente a 2017.

Na prática, diz o levantamento, só 611 litros a cada mil chegam aos locais que deveriam, já que 389 litros são perdidos antes mesmo de alcançar o consumidor final.

"Em se tratando do abastecimento de água da população em geral, o uso ineficiente dos recursos hídricos parece ser, em grande parte, anterior ao abastecimento dos usuários. O Índice de Perdas na Distribuição (IPD) revela o percentual de água perdida entre a entrada no sistema de distribuição de água (reservatórios e rede) e a chegada ao consumidor final", destaca a pesquisa.

Segundo o Instituto Trata Brasil, as perdas de água podem ser chamadas de reais ou aparentes. "As perdas reais são as associadas aos vazamentos; já as perdas aparentes são a falta de hidrômetros, erros de medição, ligações clandestinas e ao roubo de água", explica.

A pesquisa do IBGE ainda ressalta que há uma grande diferença entre os números das regiões. "Chama a atenção que os maiores índices sejam observados nas regiões Norte e Nordeste, essa última, frequentemente, atingida por episódios de seca. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, os índices eram menores, mas, ainda assim, superiores a 30%", diz.

Se não bastassem as perdas, outro dado revelado na pesquisa mostra que o brasileiro gasta, em média, mais água em casa do que seria indicado.

ONU recomenda consumo de 110 litros por dia para cada pessoa

Segundo o levantamento, no Brasil o consumo diário em 2017 foi de 140 litros por habitante. "De acordo com a ONU [Organizações das Nações Unidas], 110 litros/dia seria o consumo de água suficiente por pessoa", diz a pesquisa.

Para achar o consumo por pessoa, a PNSB constatou que a maioria das residências é urbana (91,4%) e têm uma média de três moradores por domicílio. Em média, cada domicílio gastou 420 litros por dia em 2017.

O volume consumido diariamente tem também variações regionais, com Norte e Nordeste nos extremos. Em Pernambuco, por exemplo, a média de consumo de água por domicílio é de 302,3 litros por dia, a menor do país. No outro extremo, no Amapá, esse percentual chega a 765 litros por dia.

"Na região Norte é possível apontar fatores de oferta e de demanda que contribuem para esse resultado: a água doce é, em geral, um recurso abundante na região, e, ao mesmo tempo, havia, relativamente, pouco controle sobre o consumo", diz a pesquisa.

Parte do menor consumo no Nordeste pode ser explicado por a região sofrer com constantes secas e, consequentemente, mais intermitência do serviço.

No país, de quem recebe água em casa, 88,4% tem abastecimento todo dia. Em 6,1% dos municípios, o fornecimento de água corria de quatro a seis dias por semana, enquanto em 5,5%, de um a três dias por semana.

Perda de água na distribuição, por região:

  • Norte: 48,3%
  • Nordeste: 44,5%
  • Sul: 37,7%
  • Sudeste: 37,1%
  • Centro-Oeste: 32,9%
  • Brasil: 38,9%

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