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Médica é picada por cobra no MT e tem 70% das vias aéreas afetadas

Dieynne Saugo, conhecida nas redes sociais como "Dra. Fit", teve 70% das vias aéreas comprometidas pelo inchaço decorrente das picadas de uma cobra jararaca. - Arquivo pessoal
Dieynne Saugo, conhecida nas redes sociais como "Dra. Fit", teve 70% das vias aéreas comprometidas pelo inchaço decorrente das picadas de uma cobra jararaca. Imagem: Arquivo pessoal

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Ponta Grossa

02/09/2020 19h50

A médica Dieynne Saugo, conhecida nas redes sociais como "Dra. Fit", teve 70% das vias aéreas comprometidas pelo inchaço decorrente das picadas de uma cobra jararaca. Ela foi atacada pela serpente enquanto nadava embaixo de uma cachoeira em Nobres, a 150 quilômetros de Cuiabá, no último domingo (30). O quadro de saúde foi compartilhado ontem pela família nas redes sociais da médica, que conta com mais de 150 mil seguidores.

Um amigo ouvido pelo UOL e que preferiu não se identificar relatou que Dieynne "ainda está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas que o quadro clínico vem melhorando". A médica passou ontem por uma traqueostomia - procedimento que faz uma abertura na traqueia para auxiliar na respiração - em razão do comprometimento das vias aéreas.

"Tínhamos duas opções. A traqueostomia ou a intubação. Como a intubação teria um risco muito alto de ela estar desenvolvendo uma pneumonia, optamos pela traqueo, mas por uma questão de precaução, e por não ter que acabar precisando fazer algum procedimento com urgência. Ela passou pelo centro cirúrgico e já fez o procedimento", informou o texto nas redes sociais de Dieynne, assinado pela irmã, Sthefani Saugo. Ao UOL, a família informou através da secretária da médica que, por enquanto, não vão gravar entrevista sobre o caso.

Dieynne Saugo foi picada pela cobra enquanto nadava em uma queda d'água do Parque Serra Azul. A jararaca caiu próxima da médica, que estava logo abaixo da cachoeira. Alguns banhistas chegaram a filmar o desespero dos frequentadores do local quando o animal apareceu.

A médica sofreu duas picadas: uma no rosto e outra no braço esquerdo. Ela demorou cerca de três horas para chegar ao Centro Antiveneno (CIAVE) de Cuiabá, onde recebeu um soro para neutralizar os efeitos do veneno da cobra.

Como inchaço afetou a respiração

De acordo com o coordenador do Ciave, médico José Antônio de Figueiredo, o rosto é um local incomum de ocorrer picadas de cobras, o que agravou ainda mais o estado de saúde de Dieynne. O inchaço se espalhou pelo pescoço e, com isso, comprometeu as vias respiratórias.

"Essa picada da face causou um inchaço grande no pescoço, o que comprometeu a parte respiratória porque houve uma compressão na traqueia. Quando tem qualquer compressão externa na região do pescoço que possa comprometer a respiração, se faz esses procedimentos cirúrgicos", explicou o médico.

Figueiredo explicou que o caso dela foi considerado grave por causa da quantidade de veneno, já que foram duas picadas. O quadro atualmente é estável, a médica não corre risco de morte e os danos causados indiretamente pelo veneno nas vias respiratórias são reversíveis. No primeiro atendimento, foram necessárias 12 ampolas de soro antiofídico para neutralizar os efeitos.

"Ela chegou com alguns sangramentos na gengiva por causa da coagulação do sangue, que é um dos efeitos do veneno. Depois do soro, as reações cessaram, mas o inchaço comprometeu a face e o pescoço, dando toda essa complicação. Um dos efeitos é justamente esse, o inchaço. Isso também pode comprometer os vasos sanguíneos", finaliza.

Jararaca ataca em situação de ameaça, diz biólogo

A espécie de cobra que atacou a médica é responsável por grande parte dos atendimentos do Centro Antiveneno de Cuiabá, segundo Figueiredo, por ser considerada comum na região pantaneira.

O biólogo Dyerlis Oliveira Pinheiro comentou ao UOL que as jararacas não costumam atacar os seres humanos desde que não se sintam em situação de ameaça. No caso específico da médica, o animal pode ter picado por se assustar com a presença de banhistas na água.

"A jararaca se camufla no ambiente pela sua coloração, refugiando-se dos predadores durante o dia, já que possui hábito noturno, mas costuma atacar quando se sente ameaçada ou para se alimentar, inoculando seu veneno na presa", esclareceu o biólogo.

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