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Cotidiano

Protestos por morte de João Alberto têm tensão e quebra-quebra em capitais

Carolina Marins, Gilvan Marques, Anahi Martinho e Hygino Vasconcellos

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL em São Paulo e Porto Alegre

20/11/2020 20h25Atualizada em 21/11/2020 10h21

A morte de João Alberto Silveira Freitas de 40 anos, um homem negro, provocou revolta entre os brasileiros e gerou protestos em algumas capitais do país. Freitas morreu após ser espancado por dois seguranças do Carrefour na noite de ontem em Porto Alegre (RS).

Vídeos mostram o momento em que o homem foi agredido pelos seguranças, assim como a tentativa de socorristas de salvá-lo. As imagens mostram Freitas recebendo de um dos homens vários socos na região do rosto, enquanto o outro tenta segurá-lo. Uma mulher que estava usando proteção facial é vista perto deles, assistindo às agressões.

Funcionários do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegaram a se deslocar até o local, fizeram massagem cardíaca, mas ele acabou não resistindo. Análises iniciais dos departamentos de Criminalística e Médico-Legal do Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul apontam asfixia como provável causa da morte.

O episódio, ocorrido um dia antes do feriado de Consciência Negra, provocou revolta. Cerca de 2.500 mil pessoas se reuniram em um protesto no fim da tarde de hoje na zona norte de Porto Alegre. Os manifestantes se concentraram em frente ao principal acesso ao Carrefour, na avenida Plínio Brasil Milano. O estabelecimento não abriu as portas hoje.

Após um início pacífico, um grupo de cerca de 50 pessoas tentou invadir o supermercado fechado. A Brigada Militar ocupou o interior do estabelecimento e passou a jogar bombas para afastar os manifestantes do portão, que acabou danificado. Uma pessoa conseguiu invadir o pátio e colocou fogo em alguns materiais. Após a confusão, muita gente deixou o protesto.

Em São Paulo, manifestantes invadiram a loja do Carrefour, localizada dentro de um shopping na região da avenida Paulista. Sob ordens de "não saquear", os manifestantes quebraram o portão de ferro e a fachada de vidro do supermercado, jogaram pedras e depredaram. Jogaram potes de tinta dentro da loja, mas não houve saque. Ninguém se machucou. Um princípio de incêndio rapidamente foi controlado. Pelo Twitter, alguns manifestantes relataram terem visto pessoas na região jogando ovos e garrafas de vidro em direção aos integrantes do protesto.

Na capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, houve protestos em duas redes do supermercado, um dentro de um shopping center e outro em uma unidade do centro. Entre os manifestante estava o cantor Djonga, que postou um stories do ato em seu Instagram.

Já no Rio de Janeiro, o protesto ocorreu em uma unidade na Barra da Tijuca, onde os manifestantes gritavam "assassinos" e "vidas negras importam". Curitiba também registrou atos no fim da tarde de hoje.

Entenda o caso

João Alberto Silveira Freitas teria discutido com a caixa do estabelecimento e foi conduzido por seguranças da loja até o estacionamento, no andar inferior. Um deles, policial militar temporário —funcionário contratado pela Brigada Militar por tempo determinado, para atividades administrativas —-, acompanhou o deslocamento, e colaborou no espancamento de Freitas.

Durante o percurso, acompanhado por uma funcionária do Carrefour, Freitas teria desferido um soco contra o PM, segundo afirmou a trabalhadora, em depoimento à polícia.

"A partir disso começou o tumulto, e os dois agrediram ele na tentativa de contê-lo. Eles (os seguranças) chegaram a subir em cima do corpo dele, colocaram perna no pescoço ou no tórax", disse o delegado plantonista Leandro Bodoia.

Os agressores foram presos, suspeitos de homicídio doloso. A cena vem sendo comparada nas redes sociais à que aconteceu com George Floyd, que morreu sufocado por policiais nos Estados Unidos.

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