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Filha diz que João Alberto foi alvo de racismo: 'Monstruosidade'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/11/2020 13h41

Thais Freitas, filha mais velha de João Alberto Silveira Freitas, disse que o pai foi alvo de racismo no supermercado Carrefour. Ele foi espancado por duas pessoas no estacionamento e morreu por asfixia.

"Nossa sociedade é racista, e eu já sofri racismo, como apelidos, por exemplo. As pessoas ficam nos olhando diferente no shopping. Só a cor da pele é diferente, mas somos todos iguais", revelou Thais, em entrevista ao jornal O Globo.

Thais tem 22 anos e foi ao velório do pai na manhã de hoje. Ela contou que João Alberto "era muito carinhoso" e disse que viu os vídeos da agressão na madrugada de sexta-feira.

"Aquele vídeo é uma monstruosidade. Ele poderia ter sido imobilizado e esperar a polícia chegar. O serviço deles não é matar", opinou Thais.

João Alberto deixou 4 filhos ao todo, sendo três meninas e um menino. Ele também tinha uma neta, que é filha de Thais.

Entenda o caso

João Alberto Silveira Freitas teria discutido com a caixa do estabelecimento e foi conduzido por seguranças da loja até o estacionamento, no andar inferior, como mostram as imagens obtidas pelo UOL. Um deles, policial militar temporário - funcionário contratado pela Brigada Militar por tempo determinado, para atividades administrativas -, acompanhou o deslocamento, e colaborou no espancamento de Freitas.

Durante o percurso, acompanhado por uma funcionária do Carrefour, Freitas teria desferido um soco contra o PM, segundo afirmou a trabalhadora, em depoimento à polícia. A delegada responsável pelo caso, Roberta Bertoldo, já analisou as imagens completas e afirma que há, de fato, a agressão do cliente contra um dos homens.

"Ele dá sim o soco. E foi por causa desse soco que os seguranças agridem ele. Dá para ver quem ele atinge. Me parece que foi o PM (que foi atingido)", declarou a delegada. O trecho não foi repassado à imprensa.

"A partir disso começou o tumulto, e os dois agrediram ele na tentativa de contê-lo. Eles (os seguranças) chegaram a subir em cima do corpo dele, colocaram perna no pescoço ou no tórax", disse o delegado plantonista Leandro Bodoia.

Os agressores foram presos, suspeitos de homicídio doloso. A cena vem sendo comparada nas redes sociais à que aconteceu com George Floyd, que morreu sufocado por policiais nos Estados Unidos.

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